O radialista e empresário cajazeirense Fabiano Gomes voltou a falar sobre o período em que permaneceu preso preventivamente na Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, a PB1, em João Pessoa. A declaração foi dada durante o programa Interview Personalidades, da TV Diário do Sertão, no qual revelou detalhes inéditos dos 35 dias que passou na unidade, em agosto de 2018.

Gomes foi detido pela Polícia Federal após descumprir medida cautelar relacionada à Operação Xeque-Mate, investigação que apurava suposta compra de mandato na Prefeitura de Cabedelo. Segundo o Ministério Público da Paraíba, o comunicador teria participado da articulação que resultou na renúncia de um ex-prefeito eleito em 2012 para que o vice assumisse o cargo. O descumprimento da obrigação de assinar diariamente um termo que comprovava sua permanência em João Pessoa — atrasado por dois dias — motivou o desembargador João Benedito, do Tribunal de Justiça da Paraíba, a decretar a prisão preventiva.

No depoimento à emissora, o radialista sustentou que a detenção teve caráter midiático e afirmou que todos os investigados já foram inocentados. “Precisavam de holofote”, disse, ao criticar a exposição do caso.

Dentro do presídio, o comunicador ficou em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) na ala destinada a seis internos considerados “especiais”. Ele relatou problemas de infraestrutura, falta de higiene e rotina rigorosa. Logo no primeiro dia, contou ter dormido sobre uma estrutura de cimento porque o colchão levado por sua esposa não foi entregue. “Aprendi a dar valor a um copo de água gelada. Passei 35 dias bebendo água de torneira”, afirmou.

O radialista relatou ainda que tomou banho frio de mangueira e recebia café da manhã composto por pão cru e bebida fria. “Antes, em casa, eu me irritava quando o chuveiro quente quebrava. Lá dentro, aprendi a valorizar pequenas coisas”, descreveu.

Antecipação de fuga em massa

Gomes também recordou a madrugada de 10 de setembro de 2018, quando 92 detentos fugiram da PB1 após explosão no portão principal. Ele disse ter sido avisado previamente sobre o plano por um preso na cela vizinha, apontado como um dos mentores da ação, que garantiu não haver risco para quem não participasse da escapada. O radialista optou por não denunciar o esquema, alegando medo de represálias dentro do presídio.





Durante a permanência na penitenciária, afirmou ter estabelecido contato com detentos de alta periculosidade, descritos como “intelectuais”. As conversas sobre literatura e história, segundo ele, ajudaram a suportar o confinamento. Gomes declarou ter saído “um homem diferente”, mais dedicado à família e à fé, após ler a Bíblia diariamente e abandonar o hábito de, nas suas palavras, “usar o nome de Deus em vão” para atrair audiência.

Com informações de Diariodosertao