Uma mulher natural de Pedras de Fogo, na Paraíba, está desaparecida em Barcelona desde 4 de julho. Mônica Maria da Silva, de 36 anos, vive na Espanha há cerca de dois anos e trabalhava como cabeleireira. O último contato registrado com a família ocorreu na data mencionada e, desde então, parentes tentam localizar seu paradeiro.

De acordo com a irmã, Cristina, a família percebeu a ausência de notícias também pela interrupção do contato entre Mônica e a filha de seis anos, que permanece no Brasil sob os cuidados de parentes. Mônica teria feito a primeira viagem à Espanha em 2021; após um período no Brasil, voltou ao país europeu em 2024. Em outubro daquele ano, ela esteve novamente no Brasil com a filha, que tinha quatro anos na ocasião. A criança ficou com a avó quando a cabeleireira retornou à Espanha.

Os familiares conseguiram identificar o endereço onde Mônica morava, nas proximidades da estação de metrô Can Cuiàs, na região de Ciutat Barcelona, perto de Santa Coloma de Gramenet. Segundo Cristina, o Consulado do Brasil na Espanha informou que não tem poder de investigação e orientou a família a procurar a Interpol, o que tem sido difícil para os parentes. Ela relatou sensação de impotência diante da ausência de respostas e da dificuldade de articulação entre órgãos.

O Itamaraty declarou estar ciente do caso e em contato com a família, prestando assistência consular. Até a publicação desta reportagem, o ministério não havia informado se há investigação em curso por parte das autoridades espanholas nem detalhes sobre o paradeiro de Mônica.

Durante as tentativas de localização, uma cliente que atendia com Mônica entrou em contato com a família e enviou fotos, vídeos e mensagens atribuídas à cabeleireira. Em uma mensagem de abril, Mônica teria pedido que a cliente guardasse registros por temer ficar sem o celular. Em algumas imagens, a paraibana aparece ao lado de um homem desconhecido para a família, apontado como possível namorado. Outras fotos mostram ferimentos nas unhas de Mônica, e terceiros relataram agressões praticadas por esse homem. Essas informações também indicam que, em algum momento, Mônica teria procurado o SARA (Servicio de Atención, Recuperación y Acogida), serviço da Catalunha voltado a mulheres em situação de violência.

Amigas informaram aos parentes que não tiveram contato com Mônica desde 15 de junho. As alegações sobre agressões vieram de terceiros e ainda não foram confirmadas por autoridades espanholas.

No Brasil, a família registrou boletim de ocorrência e encaminhou documentos ao Itamaraty e ao Consulado do Brasil na Espanha. Cristina relatou dificuldades para entender quais órgãos espanhóis formalizam um desaparecimento. Segundo o relato dos parentes, o consulado repassou que a polícia espanhola teria dito que Mônica estava bem e que teria sido vista em uma abordagem policial há cerca de 20 dias, informação sem registro oficial apresentado à família e considerada insuficiente diante da falta de contato e das demais mensagens recebidas.

As buscas e os encaminhamentos administrativos seguem com o acompanhamento consular destinado à família.

Com informações de G1