A família de Everaldo Coelho Bernardo Filho, de 40 anos, contesta a conclusão de suicídio no caso da morte ocorrida em 2 de outubro de 2026 no apartamento onde o analista de sistemas residia em Recife (PE). Segundo o advogado que representa os parentes, Aécio Farias, Everaldo foi atingido por um tiro na cabeça, e a arma usada pertencia à esposa do homem, a delegada Luciana Paula Santos Fernandes, da Polícia Civil de Pernambuco.

A mãe da vítima, Ana Maria Coutinho, afirmou ao Jornal da Paraíba que a família exige um laudo técnico-científico que comprove a hipótese de suicídio e reclama mais transparência no andamento das investigações. De acordo com ela, houve dificuldade para obter cópias dos autos; foi necessário contratar um advogado para conseguir o boletim de ocorrência.

O advogado pediu ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa do Recife acesso ao procedimento investigatório, preservação de vestígios e garantias de imparcialidade na apuração. A família obteve alguns laudos após medida judicial (mandado de segurança), mas ainda não teve acesso a perícia do local, aos exames das mãos relativos a resíduos de pólvora, às imagens de câmeras de segurança e a outros documentos, segundo a mãe.

Ana Maria ressaltou que não é possível aceitar a tese de suicídio sem a análise completa das provas periciais. Em petição, o advogado também requereu que as investigações sejam encaminhadas a uma unidade independente caso se comprove conflito de interesses, já que, de acordo com a família, o delegado responsável pelo caso cursou a mesma turma de formação da esposa de Everaldo.

A mãe afirmou que o filho vivia um bom momento profissional e pessoal, mantinha projetos para o futuro e não apresentava histórico de ideação suicida, episódios de depressão ou uso de substâncias tóxicas. Segundo ela, Everaldo e a esposa haviam deixado São Paulo em 2025 após a mulher ser aprovada em concurso para delegada em Pernambuco. O casal estava junto há cerca de seis anos e meio, entre namoro e casamento, e vivia com a filha de 9 anos do primeiro casamento da delegada.

Discussão um dia antes da morte

Familiares relataram que Everaldo e a esposa já haviam se separado duas vezes e que, no dia 1º de outubro de 2026, tiveram mais uma discussão depois que ela descobriu um relacionamento extraconjugal. A mãe disse que o filho lhe comunicou a intenção de reatar e de voltar a morar com ela em João Pessoa; no dia seguinte, a família foi informada por um colega sobre a morte.

O Jornal da Paraíba não conseguiu localizar a delegada Luciana Paula para comentar o caso. Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que o inquérito foi concluído e remetido ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em 28 de outubro. A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social instaurou procedimento preliminar para analisar possíveis repercussões administrativas relacionadas ao caso.

Segundo Aécio Farias, perito contratado pela família deve apresentar um laudo que confronte a perícia de Pernambuco, responsável pela conclusão de suicídio.

O caso segue com impasses sobre o acesso completo às provas técnicas e com pedidos formais da família para garantir imparcialidade na investigação.

Com informações de Jornaldaparaiba