A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta segunda-feira (19) que o faturamento real da indústria de transformação registrou alta de 1,2% em novembro de 2025, na comparação com outubro. Apesar do crescimento pontual na receita, o número de trabalhadores no setor sofreu retração de 0,2%, marcando a terceira queda mensal consecutiva.
Segundo a CNI, o mercado de trabalho industrial começou a perder ritmo a partir de setembro, sob efeito do aperto monetário promovido pelo Banco Central e do arrefecimento gradual da atividade produtiva. No acumulado desde setembro, o emprego no segmento recuou 0,6%, embora apresente alta de 1,7% no comparativo entre janeiro e novembro de 2025.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, avaliou que a contratação de mão de obra acompanhou a recuperação iniciada em 2023, culminando no auge da atividade em 2024. “Somente após meses de resultados mais fracos da indústria, o emprego passou a ser afetado”, destacou, lembrando que demissões e novas contratações representam custos elevados para empresas que dependem de profissionais qualificados.
Mercado de trabalho e rendimento
Outros indicadores ligados ao emprego apresentaram leve recuperação em novembro, mas mantêm perdas no balanço anual:
- Massa salarial real: alta de 1,5% em novembro, depois de quatro quedas seguidas; queda de 2,3% no acumulado do ano.
- Rendimento médio real: aumento de 1,6% no mês; recuo de 4,0% entre janeiro e novembro.
Desempenho da produção e da capacidade
Apesar do avanço no faturamento em novembro, outros parâmetros revelam perda de fôlego no ano:
- Faturamento acumulado em 2025: alta de apenas 0,3%;
- Horas trabalhadas na produção: queda de 0,7% em novembro; alta de 0,9% no acumulado do ano;
- Utilização da Capacidade Instalada (UCI): recuo de 0,6 ponto percentual em novembro, para 77,5%; 2,4 pontos percentuais abaixo de novembro de 2024.
De acordo com a CNI, a moderada expansão do faturamento ao longo de 2025 reforça a perspectiva de perda de ritmo na segunda metade do ano, em um cenário marcado por taxas de juros elevadas e demanda mais fraca.
Com informações de Agência Brasil



