O deputado estadual Felipe Leitão (MDB), que disputa a reeleição, afirmou que não tem ligação com organizações criminosas e se colocou à disposição das autoridades após a instauração de um inquérito pela Polícia Federal. A investigação, aberta nesta sexta-feira (2), apura relatos de possível compra de votos, coação de eleitores e uso da máquina pública municipal para favorecer a campanha do parlamentar em Bayeux.
Segundo as informações encaminhadas às autoridades, parte das denúncias aponta para supostas aproximações do deputado com integrantes de organizações criminosas em comunidades da cidade. Esses relatos chegaram à Polícia Federal a partir de comunicações enviadas à Ouvidoria do Ministério Público da Paraíba.
A Polícia Federal deixou claro que as acusações estão em apuração e não configuram, até o momento, uma conclusão sobre a ocorrência dos fatos ou sobre eventual responsabilidade de Felipe Leitão.
O próprio parlamentar negou as alegações e disse que não pretende criar qualquer obstáculo à investigação. “Eu quero que investiguem tudo. Não tenho absolutamente nada a esconder. O que não aceito é ter meu nome e minha família associados a uma acusação dessa gravidade sem que seja apresentada uma prova contra mim”, declarou.
Defesa pede investigação da origem da denúncia
O advogado Luiz Pereira do Nascimento Júnior, que representa o deputado, ressaltou que o envio de uma denúncia a uma instituição pública não equivale à comprovação do seu conteúdo. A defesa declarou não contestar a importância dos canais institucionais para receber denúncias, mas pediu que seja apurado se houve uso abusivo desses mecanismos.
Segundo Luiz Pereira, é preciso evitar que o anonimato sirva para lançar acusações graves sem elementos concretos, especialmente em período eleitoral. “Felipe não pretende obstar nenhuma investigação. Pelo contrário: queremos que tudo seja apurado e que, havendo elementos de utilização abusiva do canal para atingir sua imagem, a investigação também alcance a origem e as circunstâncias dessa denúncia”, afirmou o advogado.
A defesa também apontou que a realidade enfrentada pelo deputado em algumas comunidades de Bayeux, onde ele diz ter dificuldade até para entrar em determinadas áreas, seria incompatível com a existência de um acordo com organizações criminosas — aspecto que pediu para ser verificado pelas autoridades.
Anonimato e episódios anteriores
Felipe declarou ainda que não pretende solicitar a interrupção das diligências da Polícia Federal nem de qualquer investigação do Ministério Público, e que deseja o esclarecimento integral dos fatos. “Não quero impedir investigação alguma. Quero justamente o contrário: que investiguem até o fim e que essa apuração também alcance quem fez a denúncia”, afirmou.
O episódio ocorre poucos dias após a distribuição, no fim de setembro, de panfletos apócrifos com acusações contra Leitão e aliados em Bayeux e Santa Rita. Naquela ocasião, o deputado procurou a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral solicitou investigação sobre a autoria do material, com diligências determinadas pela Justiça Eleitoral. O MP Eleitoral registrou que não havia elementos que sustentassem uma das associações feitas pelo material em relação ao caso Banco Master.
A defesa de Felipe disse que continuará colaborando com as apurações e reiterou o pedido para que a investigação esclareça tanto o teor das denúncias quanto sua origem e as circunstâncias em que foram apresentadas.
Com informações de Polemicaparaiba



