Frei Anastácio, referência histórica na defesa da reforma agrária e da agricultura familiar na Paraíba, anunciou que não disputará as eleições de 2026 e se afasta da vida pública aos 81 anos por motivos de saúde. Ex-deputado federal e ex-secretário estadual da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido, ele encerra mais de cinco décadas dedicadas à política, à religião e às causas sociais.
O anúncio da desistência de uma nova candidatura decorre de problemas de saúde enfrentados pelo frade franciscano. Após deixar a Secretaria para cumprir o prazo de desincompatibilização e preparar uma campanha ao cargo de deputado federal, Frei Anastácio passou por cirurgia para tratamento de varizes nas pernas. A recuperação caminhava bem, mas, durante uma viagem, ele sofreu uma queda em um hotel, bateu a cabeça e precisou ser internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Durante os cuidados médicos foi identificado um coágulo cerebral. Embora tenha apresentado evolução clínica, o acidente provocou sequelas relevantes, com sintomas semelhantes aos observados em pacientes com Alzheimer, afetando a memória e a capacidade física do religioso.
Atualmente, Frei Anastácio reside no convento franciscano de Lagoa Seca, onde recebe assistência dos frades. Segundo a nota sobre seu estado, as limitações decorrentes do acidente impedem tanto a participação em eleições quanto o desempenho de atividades públicas.
Trajetória pública e atuação
Natural de Esperança, no Agreste da Paraíba, nascido em 1944, Frei Anastácio foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no estado, em 1973, e dedicou sua vida à atuação junto a agricultores familiares, assentados e movimentos populares. Militante do Partido dos Trabalhadores (PT), integrou a corrente Avante e contribuiu para a formação de lideranças no partido na Paraíba, defendendo bandeiras relacionadas à democracia, aos direitos humanos e aos trabalhadores.
Na carreira eletiva, foi escolhido deputado estadual em 1998, reeleito em 2002 e retornou à Assembleia Legislativa em 2010 e 2014, totalizando quatro mandatos voltados à defesa da população do campo. Presidiu a Superintendência Regional do Incra na Paraíba e, em 2018, foi eleito deputado federal com mais de 91 mil votos, ampliando sua atuação em Brasília em torno da agricultura familiar e do desenvolvimento rural.
Secretaria e sucessão
Após o mandato na Câmara, aceitou o convite do governador João Azevêdo para chefiar a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido, função que exerceu entre 2023 e 2026. Na secretaria, conduziu ações voltadas à assistência técnica, à mecanização, à inclusão produtiva e à segurança alimentar. Ao deixar a pasta, indicou Nino Vilar, seu parceiro político desde 1998, para dar continuidade ao trabalho e para coordenar a corrente Avante no Diretório e na Executiva Estadual do PT.
As sequelas do acidente limitaram seus planos de retorno à Câmara dos Deputados, mas sua trajetória permanece marcada pela defesa da dignidade dos trabalhadores rurais e pela atuação em prol da agricultura familiar na Paraíba.
Com informações de Polemicaparaiba



