Ana Neiry, fundadora e CEO da ONG Pisada do Sertão, afirmou que a vontade de mudar a imagem do Sertão motivou a criação de projetos voltados ao fortalecimento das comunidades do Semiárido. A declaração foi dada durante o Fórum Comunitário Nossa Terra, Nossa Energia, realizado em Poço Dantas, no Alto Sertão da Paraíba.
Em entrevista à TV Diário do Sertão, Ana Neiry lembrou que cresceu ouvindo prognósticos pessimistas sobre o futuro da região, o que a levou a procurar alternativas que valorizassem as potencialidades locais e gerassem oportunidades no interior. Ela destacou que, apesar das narrativas sobre falta de futuro, optou por permanecer e trabalhar no território onde estão sua família e suas raízes.
Segundo a empreendedora social, essa experiência pessoal foi decisiva para a implementação de iniciativas como o projeto Comunidades Solares, que tem como objetivo fomentar o desenvolvimento sustentável no Sertão paraibano e em outras áreas do Nordeste. A proposta busca articular conhecimentos locais, o manejo do semiárido e tecnologias adequadas para promover renda e segurança alimentar.
Ana Neiry citou ainda a relevância das parcerias com empresas e instituições que apoiam a iniciativa. Entre os nomes mencionados estão o banco BTG Pactual e a B3, que contribuem por meio de repasses ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ela afirmou que esses investimentos têm impacto direto na vida das famílias atendidas, principalmente em áreas rurais.
Para a fundadora da Pisada do Sertão, ver famílias que passam a produzir seu próprio alimento e a transformar essa produção em renda adicional é um exemplo de empreendedorismo rural e de uma visão de abundância aplicada ao Sertão. Ela afirmou que levar essa perspectiva a diferentes espaços de apresentação dos projetos é uma prioridade da organização.
Ana Neiry enfatizou que o Semiárido deve ser encarado como um território de soluções, construídas a partir do conhecimento de quem vive na região. Ela lembrou que aprender a conviver com a seca faz parte da realidade local e que iniciativas como as comunidades solares demonstram possibilidades de aprender com a terra, o meio ambiente e os saberes comunitários.
Com informações de Diariodosertao




