O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), protagonizou um deslize durante coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (5). Ao ser questionado sobre a movimentação de aliados para a disputa eleitoral deste ano, o chefe do Poder Executivo estadual mencionou o deputado Felipe Leitão (Republicanos), mas trocou o sobrenome do parlamentar e o chamou de “Felipe Leilão”. A troca, rapidamente percebida pelos presentes, gerou comentários nos bastidores políticos.

O ato falho ocorreu poucos dias depois de Felipe Leitão declarar apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). O gestor municipal encabeça a chapa de oposição ao governo estadual nas eleições, posicionando-se contra o nome defendido por Azevêdo para sucedê-lo no Palácio da Redenção, o vice-governador Lucas Ribeiro. Na prática, o gesto de Leitão representa um realinhamento significativo dentro da base que até então sustentava o governador.

Além do parlamentar, todo o grupo político ligado à cidade de Bayeux e associado ao governo estadual também decidiu deixar a aliança com o PSB. A debandada é liderada pela prefeita Tacyana Leitão (PSB), que acompanhou o rompimento de Felipe. A mudança reforça o alcance da insatisfação nas fileiras governistas e amplia o impacto da saída para além da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Durante a coletiva, João Azevêdo buscou minimizar a perda de aliados, afirmando que mudanças de posicionamento são “naturais em processos eleitorais”. No entanto, o deslize na pronúncia do nome do deputado foi interpretado por adversários como sinal de desconforto com o novo cenário.

Felipe Leitão, por sua vez, justificou o apoio a Cícero Lucena alegando que “a Paraíba precisa de um gestor capaz”, frase dita na ocasião em que oficializou a adesão ao MDB. O deputado vinha ocupando espaço de destaque na bancada de sustentação ao governo na Assembleia e era apontado como interlocutor para projetos de interesse do Executivo.

Embora o calendário eleitoral ainda reserve outros prazos para filiações e definições de chapa, a saída de Leitão e do grupo de Bayeux já provocou rearranjos internos. A equipe do governador avalia impactos sobre votações na Casa legislativa e possíveis novas perdas. Até o momento, João Azevêdo não comentou publicamente a troca do sobrenome, limitando-se a reafirmar que a campanha seguirá “com serenidade e foco na continuidade das ações de governo”.

A gafe, entretanto, ganhou repercussão nas redes sociais e foi explorada por adversários como símbolo de uma base em processo de fragmentação. Nos bastidores, aliados do PSB admitem que a saída do Republicanos impõe desafios à construção da coligação liderada por Lucas Ribeiro, especialmente em municípios onde Felipe Leitão possui influência.

Apesar da saia-justa, o governador mantém a agenda administrativa e deve reunir sua equipe política ao longo da semana para discutir estratégias de contenção de danos e possíveis recomposições. Enquanto isso, a oposição celebra o reforço, considerando que o movimento pode atrair outros parlamentares insatisfeitos à órbita de Cícero Lucena.

Até a oficialização das chapas, prevista para o período de convenções partidárias, o episódio permanece como mais um sinal da tensão que envolve a sucessão estadual e evidencia que, na corrida eleitoral, qualquer deslize, por menor que pareça, tem potencial de repercutir amplamente.

Com informações de Polemicaparaiba