Maria Clara e Maria Carolina Fortes, gêmeas de 12 anos de Campina Grande, tiveram o sonho de trabalhar com desenhos em 3D concretizado ao receberem um computador do projeto Computador Nota Dez, do Laboratório de Tecnologia Agroambiental da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A iniciativa recupera máquinas usadas para doação à comunidade.

Desde os três anos, as irmãs se dedicam ao desenho e à criação de objetos em papel. Nos últimos meses, ambas passaram a estudar animação digital na expectativa de obter um equipamento capaz de transformar rascunhos em modelos tridimensionais. Durante uma visita ao laboratório da UFCG, elas foram surpreendidas com a entrega do computador – presente que, segundo Maria Clara, chegou após um ano de prática e espera.

“Eu fiquei o ano passado inteiro treinando animação só para isso, para um dia realizar o meu sonho [de ter um computador para desenhar]”, afirmou Maria Clara ao receber a boa notícia. A irmã, Maria Carolina, compartilha o entusiasmo pela nova fase, em que os aplicativos de modelagem digital permitirão ampliar as criações artísticas das duas.

Para a mãe das meninas, Marlin Silva, o equipamento atende a um dom nato das filhas. “Eu divido, coloco uma hora de uso para cada e aí elas vão desenhando. Elas já nasceram com esse dom da arte, do desenho, de pintar, de manusear. Tudo é um dom de Deus”, declarou. Ela avalia que o acesso à tecnologia será um diferencial para o futuro profissional das gêmeas.

O talento das irmãs já tinha sido reconhecido na própria escola onde estudam, o Complexo Aluízio Campos, em Campina Grande. Convidadas para decorar paredes da instituição, Clara e Carolina estamparam desenhos e pinturas em corredores, estimulando a criatividade de colegas e professores.

“Aqui dentro da escola a gente tenta fazer o possível para que esse talento se desenvolva, oferecendo espaço para que elas pintem. É um incentivo, de certa forma”, comentou o diretor Diego Rocha Guedes. O artista plástico José Brito Andrade reforçou a importância do projeto de arte nas escolas para promover interação didática e estimular o público escolar por meio da beleza visual.

Com planos de cursar design no futuro, as gêmeas já definiram áreas de interesse: enquanto Maria Clara pretende criar personagens de anime, Maria Carolina quer seguir a vertente de arte sacra e design litúrgico. Ambas acreditam que o computador recebido abrirá portas para novos projetos e aperfeiçoamento técnico.

As primeiras modelagens e animações digitais devem surgir nos próximos meses, marcando o início de uma trajetória que une tradição artesanal e recursos tecnológicos.

Com informações de G1