O cantor e compositor Gilberto Gil apresentou, no sábado, 22 de novembro de 2025, no Recife, mais um espetáculo da turnê “Tempo Rei”, anunciada como sua despedida dos grandes palcos. Com 83 anos de idade, o artista baiano reuniu um repertório que percorre seis décadas de produção musical e permaneceu no palco por aproximadamente 2 h 40, duração próxima aos concertos de três horas que costumava realizar na década de 1970.
Retrospecto histórico e ligação com Pernambuco
O show em Pernambuco tem significado especial para Gil. Em 1967, após lançar o álbum de estreia “Louvação”, o músico passou uma temporada no Teatro Popular do Nordeste, no Recife, onde conheceu Hermilo Borba Filho, Jomard Muniz de Britto, Celso Marconi, Carlos Fernando e Geraldo Azevedo. Na mesma época, assistiu à Banda de Pífanos de Caruaru, experiência que, combinada à inspiração de “Strawberry Fields Forever”, dos Beatles, influenciou a gênese do movimento tropicalista. O período também marcou o contato direto do artista com a repressão da ditadura militar e a fome no Nordeste, temas que permeiam parte de sua obra.
Estrutura do espetáculo
“Tempo Rei” foi construído em blocos que recapitulam fases distintas da trajetória do compositor:
- Abertura com “Palco”, “Banda Um” e “Tempo Rei”.
- Seqüência dedicada aos anos 1960 e início dos 1970, com “Eu Vim da Bahia”, “Procissão”, “Domingo no Parque”, “Back in Bahia” e “Cálice”.
- Trilogia RE: “Refazenda”, “Refavela” e “No Woman, No Cry”, lembrando o disco “Realce”.
- Canções dos anos 1970, como “Só Quero um Xodó”, “Esotérico”, “Realce” e “Toda Menina Baiana”.
- Bloco pop e reggae dos anos 1980, reunindo “A Gente Precisa Ver o Luar”, “Andar com Fé”, “Punk da Periferia”, “O Rock do Segurança”, “Vamos Fugir” e “Barracos”.
- Momento intimista em formato “voz e violão”, com “A Paz”, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, “Drão” e “Estrela”.
- Retorno aos anos 1960 com “Aquele Abraço” e salto para os anos 2000 com “Esperando na Janela”.
Curiosidades e homenagens
Durante a apresentação, Gil mencionou que, em 9 de dezembro de 1980, seguia para gravar “A Gente Precisa Ver o Luar” quando recebeu a notícia do assassinato de John Lennon. A faixa, segundo o músico, chegou a ser elogiada por George Harrison por remeter à sonoridade dos Beatles, inclusive pelo uso do característico “yeah-yeah-yeah”.
No encerramento, o cantor deixou o palco enquanto a banda — formada por 16 integrantes — executava a introdução de “Frevo Rasgado”. Em seguida, o frevo pernambucano conduziu “Atrás do Trio Elétrico”, ressaltando a influência recíproca entre os carnavais de Pernambuco e da Bahia.
Próximos passos
“Tempo Rei” encontra-se na etapa final e deve terminar em 2026, segundo a produção. Até lá, o roteiro inclui novas datas em capitais brasileiras e algumas apresentações internacionais, marcando a despedida de um dos nomes centrais da música popular do país.
Com informações de Jornaldaparaiba




