O cantor Gilberto Gil esteve presente de forma remota, na sexta-feira (6), a um ato promovido na sede do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba ao lado do padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa depois de comentários feitos sobre Preta Gil em uma missa na cidade de Areial, Agreste paraibano.

O encontro integra acordo firmado entre o padre e o MPF para evitar processo criminal pelas falas consideradas ofensivas a religiões de matriz afro-indígena e à própria cantora, filha de Gilberto Gil. Como parte do pacto, o padre assinou termo de confissão de culpa, que poderá servir como prova em eventual reabertura da ação penal caso descumpra compromissos estabelecidos.

“A gente está aqui para ouvir o perdão do padre, o padre ter reconhecido a injustiça, acho que é assim que se segue”, afirmou Flora Gil, madrasta de Preta Gil, durante a cerimônia de reconciliação. Também participou do ato religioso o subprocurador-geral da República Paulo Vasconcelos Jacobina, que ressaltou a relevância do gesto de arrependimento.

“Justiça que de fato muda as coisas para adiante. A nossa expectativa é de fato que esse fato nos ensine, como comunidade, mundo jurídico, que as coisas podem se transformar em coisas melhores, a partir do diálogo, do perdão, da compreensão”, declarou o subprocurador-geral.

Termos e penalidades do acordo

Além da participação no ato inter-religioso, o acordo prevê que o padre Danilo César deverá cumprir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, elaborar resenhas de obras que combatam preconceitos e pagar multa de R$ 4.863,00 a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes. Caso falhe em cumprir qualquer das medidas, a confissão registrada valerá como prova em eventual ação penal.

Contexto das declarações

No dia 27 de julho, durante homilia transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia de São José, em Areial, o padre associou a fé de Preta Gil em religiões de matriz afro-indígena ao sofrimento e à morte da cantora, vítima de câncer colorretal. Ele chegou a perguntar: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”, e classificou as práticas religiosas como “coisas ocultas”, desejando que o “diabo levasse” quem recorresse a elas.

As falas foram consideradas preconceituosas pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, que registrou boletim de ocorrência contra o padre por intolerância religiosa. Em resposta às ofensas, Gilberto Gil chegou a notificar extrajudicialmente a Diocese de Campina Grande e o próprio padre, exigindo retratação pública.





O acordo no MPF busca evitar litígios criminais, promover a reparação simbólica junto à comunidade atingida e reforçar a importância do respeito à liberdade religiosa.

Com informações de Jornaldaparaiba