Rio de Janeiro – Gilberto Gil, familiares e herdeiros de Preta Gil moveram ação por danos morais contra o padre Danilo César de Sousa Bezerra, da Paróquia São José, em Areial (PB), reivindicando R$ 370 mil de indenização. O pedido está detalhado em processo protocolado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Segundo a petição, as declarações do sacerdote, feitas durante uma missa transmitida ao vivo em 27 de julho, configuram intolerância religiosa, racismo religioso, injúria e ultraje a culto, atingindo a memória da cantora e a fé de religiões de matriz afro-indígena.

Argumentos da família

Os advogados afirmam que o valor foi estabelecido devido à “alta reprovabilidade” das falas, consideradas graves e endossadas pela Diocese de Campina Grande, à qual o padre é vinculado. A defesa lembra que, antes de recorrer à Justiça, ofereceu ao religioso a chance de retratação extrajudicial, que não foi aceita.

Em depoimento à Polícia Civil, o padre confirmou o teor das afirmações ao declarar que “estava professando a própria fé”. Para os autores da ação, isso ocorreu em meio ao luto da família, agravando o dano moral.

A compensação financeira, se concedida, será dividida entre Gilberto Gil, Flora Gil, Francisco Gil e demais irmãos da artista.

Efeitos nas redes sociais

O processo relata que a homilia, inicialmente publicada no YouTube da paróquia e depois replicada por sites e internautas, gerou “onda de racismo religioso” nos comentários, nos quais internautas respaldaram o discurso do padre e minimizaram as crenças afro-religiosas.

Investigações na Paraíba

Paralelamente, a Polícia Civil paraibana conduz três inquéritos contra Danilo César. O delegado Danilo Orengo informou que a conclusão deve sair na próxima semana. O padre, de 31 anos, nega intenção de desrespeitar outras religiões e diz ter apenas exposto doutrina católica.

Gilberto Gil e família exigem R$ 370 mil de indenização de padre investigado por intolerância religiosa - Imagem do artigo original

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Durante a missa, ele citou a morte de Preta Gil, vítima de câncer colorretal nos Estados Unidos, questionando: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”. Também chamou práticas de matriz africana de “coisas ocultas” e afirmou desejar “que o diabo levasse” quem recorresse a elas.

O vídeo foi retirado do ar depois da repercussão negativa.

O TJRJ analisará agora a procedência dos pedidos de indenização.

Com informações de Jornal da Paraíba