Integrantes do governo federal reconheceram, neste domingo (23), que a recente prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro provoca desgaste político e interfere diretamente no clima do Congresso Nacional. A avaliação circula desde as primeiras horas do dia entre ministros e líderes partidários, que monitoram o humor das bancadas diante do novo episódio.

De acordo com esses interlocutores, o episódio fragiliza ainda mais a imagem de Bolsonaro e repercute no relacionamento entre Executivo e Legislativo. A leitura é de que o tema deve dominar as discussões na Câmara e no Senado ao longo da semana, tornando incerta a tramitação de pautas consideradas prioritárias pelo Planalto.

A mesma análise aponta para o crescimento da pressão de parlamentares oposicionistas, que passaram a defender com mais ênfase um projeto de anistia. Para esses deputados e senadores, a medida serviria como resposta política imediata à detenção do ex-chefe do Executivo. Embora o texto ainda não exista formalmente, a simples possibilidade de debate já preocupa articuladores governistas.

Aliados do presidente em exercício avaliam que a prisão reacende questionamentos sobre a condução do processo judicial e coloca o governo novamente sob fogo cruzado. Segundo esses assessores, cada novo desdobramento amplia a mobilização de grupos ligados ao bolsonarismo dentro e fora do Parlamento, dificultando negociações em curso.

Ao mesmo tempo, fontes ligadas ao núcleo de apoio de Bolsonaro afirmam que o senador Flávio Bolsonaro passou a ser citado com maior frequência como possível alvo de procedimentos abertos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A suspeita de um avanço sobre o primogênito do ex-presidente intensifica a tensão entre Planalto, oposição e Judiciário.

Para auxiliares do governo, manter a base coesa será o principal desafio nos próximos dias. Enquanto líderes governistas tentam proteger a agenda legislativa, oposicionistas pretendem usar a prisão como argumento para travar votações e fortalecer o discurso em favor da anistia. Nos bastidores, avalia-se que o cenário seguirá instável até que o Supremo conclua as próximas etapas do processo.

Embora não haja previsão de novas decisões judiciais neste domingo, interlocutores tanto do Palácio quanto da defesa de Bolsonaro admitem que qualquer movimento do ministro Moraes pode alterar novamente o tabuleiro político. Por ora, a estratégia do governo é monitorar o ambiente, reforçar contatos com líderes partidários e apostar em notas oficiais para conter danos à sua articulação no Congresso.

Com informações de Paraibaonline