O governo federal informou, nesta quinta-feira (16), que vai reativar um programa de socorro direcionado às empresas brasileiras prejudicadas pela tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou na quarta-feira a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos vindos do Brasil, alegando práticas comerciais consideradas desleais.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, a medida tem como prioridade apoiar os setores que sofreram com o “tarifaço” anunciado pelos norte-americanos. Rosa falou em coletiva em Brasília ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, entre eles o titular da Fazenda, Dario Durigan.

O MDIC informou que os segmentos mais impactados nesta rodada são madeira; máquinas e equipamentos elétricos; móveis e mobiliário; cerâmica; calçados; e açúcar. As medidas de auxílio incluem linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de ações para facilitar o escoamento das mercadorias a clientes e países alternativos.

Estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, apontam que cerca de 2,4 mil empresas nacionais foram diretamente afetadas — responsáveis, em conjunto, por aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, totalizando cerca de US$ 7,4 bilhões, com base em dados de 2024. No ano anterior, esses mesmos setores haviam reduzido para US$ 5,5 bilhões o volume exportado aos Estados Unidos.

Impacto e reação

O governo ressalta que várias categorias de produtos brasileiros ficaram fora da taxação nesta rodada, como aeronaves, óleos, café e carnes. Ainda assim, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12,1% em 2025 para 9,4% em 2026. Rosa afirmou que a administração continuará a promover a diversificação de mercados para reduzir a dependência norte-americana.

Geraldo Alckmin disse que o Executivo estudará a aplicação da Lei da Reciprocidade — aprovada no ano passado pelo Congresso —, que prevê critérios para suspender concessões comerciais em resposta a práticas unilaterais que prejudiquem a competitividade do Brasil. Alckmin classificou o tarifaço como injusto e descabido.

Na avaliação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a decisão dos EUA representa uma interferência externa indevida. Durigan afirmou que as alegações norte-americanas não se sustentam em dados concretos e que as medidas de apoio adotadas pelo Brasil deverão envolver volumes de crédito menores do que os concedidos em rodada anterior, devido ao maior número de exceções nesta lista de taxação.

Questões em disputa

O Pix, sistema de transferências e pagamentos do Banco Central, está entre os pontos questionados pelos EUA nas negociações. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o sistema não justifica a imposição de tarifas e observou que o mercado de cartões de crédito cresceu após a adoção do Pix, o que não corrobora a tese de prejuízo a empresas estadunidenses do setor.

A investigação do USTR, iniciada há um ano, listou supostas práticas brasileiras que, segundo os EUA, onerariam ou limitaria o comércio de produtores e empresas norte-americanas, citando comércio digital e serviços de pagamento, tarifas preferenciais, medidas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O governo brasileiro rejeita essas alegações. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, contestou as acusações sobre aumento do desmatamento e comércio ilegal de madeira, lembrando que a Amazônia teve redução de 50% no desmatamento nos últimos três anos.

As novas tarifas anunciadas pelo USTR começam a valer em 22 de julho.

Com informações de Agência Brasil