O Governo do Distrito Federal (GDF) indicou, nesta terça-feira (18), o superintendente da Caixa Econômica Federal Celso Eloi de Souza Cavalhero para presidir o Banco de Brasília (BRB). O executivo, servidor de carreira da Caixa, foi escolhido para ocupar a vaga de Paulo Henrique Costa, afastado temporariamente do cargo por determinação judicial. Antes de tomar posse, Cavalhero precisará ter seu nome aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Em nota oficial, o Palácio do Buriti informou que a indicação tem o objetivo de “assegurar a continuidade administrativa e financeira do BRB”, instituição que se tornou alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no mesmo dia.

Operação Compliance Zero

Segundo a PF, até o início da tarde seis pessoas haviam sido presas — quatro em caráter preventivo e duas temporariamente. Entre os detidos está o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, capturado no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava deixar o país em um jato particular.

Por ordem judicial, os agentes apreenderam cerca de R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo, obras de arte, carros e relógios de luxo. Os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.

Além de Costa, a Justiça afastou o diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior.

Esquema investigado

A investigação começou em 2024 para apurar a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. De acordo com a PF, os bancos criavam operações de empréstimo fictícias, depois vendidas a outras instituições. Após a aprovação contábil pelo Banco Central (BC), os ativos fraudulentos eram trocados por outros sem avaliação técnica adequada.

O diretor-geral da PF estima que as fraudes possam ter alcançado R$ 12 bilhões. O Banco Master figura como principal alvo, acusado de adotar captação agressiva oferecendo rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) — percentual acima da média praticada por bancos de menor porte, entre 110% e 120% do CDI.

A comercialização de precatórios e a tentativa de emissão de títulos em dólares, que não atraíram investidores pela desconfiança do mercado, também contribuíram para ampliar as suspeitas sobre a saúde financeira do Master.

Negociações canceladas

Em março deste ano, o BRB anunciou intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, quantia que representaria 75% do patrimônio consolidado da instituição de Vorcaro. Contudo, em setembro, o Banco Central vetou a operação.

Posicionamento do BRB e do GDF

Após as prisões e o afastamento de sua cúpula, o BRB divulgou nota afirmando que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência”, prestando informações regulares ao Ministério Público Federal e ao Banco Central.

O GDF declarou que o banco mantém “capacidade plena de operação, com total segurança administrativa e financeira”. Segundo o governo distrital, todas as rotinas, contratos e serviços seguem normais. A administração local acrescentou que adotará medidas adicionais para reforçar governança, compliance e controle interno, acompanhando de perto as investigações para preservar o patrimônio público e a confiança no sistema financeiro do Distrito Federal.

Com informações de Agência Brasil