Brasília, 25 de novembro de 2025 – O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, declarou nesta terça-feira (25) que a extinção da jornada 6×1 – seis dias de trabalho por um de folga – deverá incluir um período de transição voltado a micro e pequenas empresas.
Segundo o ministro, a formatação desse mecanismo ainda depende de projeções de impacto fiscal, mas a intenção é construir instrumentos de compensação, como eventuais estímulos ou desonerações, para assegurar a sustentabilidade dos menores empreendimentos. “Há caminhos possíveis. Podemos discutir incentivos ou algum grau de compensação”, afirmou em entrevista concedida à Agência Brasil e à TV Brasil após participar do programa Bom Dia, Ministro, na sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília.
A discussão gira em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, protocolada na Câmara dos Deputados em fevereiro. O texto estabelece jornada máxima de 36 horas semanais distribuídas em quatro dias, eliminando o modelo atual de seis dias trabalhados e um de descanso. Outras iniciativas com foco na redução da carga horária tramitam paralelamente no Congresso.
Setores empresariais contestam a medida, alegando que a reestruturação exigirá a contratação de mais funcionários e elevará os custos operacionais. Boulos reconhece a preocupação, mas ressalta que o tratamento deve diferenciar grandes corporações de pequenos negócios. “Precisamos separar o grande empresário, a corporação, o banco, daquele que possui uma oficina, um restaurante ou um comércio com três, cinco empregados. Para o pequeno, teremos de adotar um modelo de transição que não coloque o negócio em risco”, explicou. Ele acrescentou que empresas de maior porte dispõem de recursos para absorver a mudança.
O ministro também destacou o impacto social da escala 6×1 sobre os trabalhadores. De acordo com Boulos, milhões de pessoas perdem convivência familiar e oportunidades de formação pessoal por folgarem em dias de semana incompatíveis com a rotina de parentes. “Muitos se veem sem tempo para cuidar da casa, frequentar um curso ou simplesmente desfrutar de lazer”, disse.
Com o avanço da PEC, o Executivo e o Parlamento pretendem calibrar mecanismos de transição visando proteger micro e pequenas empresas, enquanto buscam assegurar melhores condições de vida para os trabalhadores afetados pela mudança na jornada.
Com informações de Agência Brasil


