Relatório da Oxfam divulgado durante o Fórum de Davos de 2026 aponta que administrações globais favorecem a riqueza e o poder político dos bilionários em vez de promover direitos e bem-estar da população em geral.
O estudo “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários” foi apresentado pela organização humanitária com o objetivo de denunciar como governos de diversos países optam por garantir privilégios a uma pequena elite, enquanto a maioria enfrenta dificuldades para manter a dignidade material, acesso à voz política e salvaguarda de liberdades civis.
Concentração de poder e retrocesso de direitos
Segundo o relatório, o poder político dos super-ricos atingiu patamares inéditos, alimentado por um crescimento acelerado de sua fortuna. Ao mesmo tempo, observa-se uma estagnação na redução da pobreza e um recuo nos direitos civis e políticos da população em geral, refletido em restrições a protestos e silenciamento de grupos de oposição.
“Em vários países, os super ricos não só acumularam mais riqueza do que jamais poderiam gastar, como também utilizaram essa riqueza para garantir o poder político para moldar as regras que definem as nossas economias e governam as nações. Ao mesmo tempo, em todo o mundo, estamos vendo uma deterioração e um retrocesso dos direitos civis e políticos da maioria; a repressão de protestos; e o silenciamento da oposição”, descreve o documento.
Impacto na pobreza e segurança alimentar
O levantamento revela que, em 2022, aproximadamente 48% da população mundial – cerca de 3,83 bilhões de pessoas – vivia em situação de pobreza. Além disso, 25% da população global enfrentava insegurança alimentar moderada ou grave, índice que cresceu 42,6% entre 2015 e 2024. A África registrou um aumento no número de pessoas em estado de pobreza, indicando um estancamento nos avanços sociais.
“A diminuição da pobreza praticamente estagnou, com o registro de um novo aumento da pobreza na África. Em 2022, quase metade da população mundial vivia na pobreza. Olhando além da renda, uma em cada quatro pessoas no mundo enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave”, aponta o texto.
Alternativas e mobilização
Apesar do cenário crítico, o relatório reforça que a situação não é inevitável. Os autores argumentam que políticas públicas podem redirecionar recursos em favor das pessoas comuns e que a organização coletiva da sociedade civil pode servir como contrapeso ao poder econômico extremo.
“Os governos podem optar por defender as pessoas comuns em vez dos oligarcas. As próprias pessoas, quando organizadas, podem apresentar um contrapeso poderoso à riqueza extrema. Juntos, podemos exigir um mundo mais justo e igualitário”, conclui o documento.
O relatório completo está disponível no site da Oxfam.
Com informações de Agência Brasil



