Quem: O advogado Nelson Wilians e empresários ligados às plataformas PixBet e PixStar, entre eles Ernildo Junior de Farias Santos, fundador operacional da PixBet.

O que: A Polícia Federal, no âmbito da Operação Arena, aponta que um helicóptero Airbus EC 130 T2, apelidado de “betcóptero”, estabelece ligação patrimonial e operacional entre o escritório de Wilians e o grupo de apostas online investigado. Relatórios da PF também indicam transferências de R$ 9,8 milhões em favor do escritório de advocacia.

Quando: Em 11/08/2023, segundo documento do inquérito citado pelos investigadores, o helicóptero teria sido cedido por Rubens Sobrinho Rodrigues Prudente ao escritório de Nelson Wilians por prazo de um ano, a título de empréstimo. Nos arquivos do empresário Ernildo Junior foi encontrado, entretanto, um contrato de compra e venda da aeronave.

Onde: As medidas desta fase da investigação foram determinadas pela Justiça Federal da Paraíba e cumpridas em endereços ligados ao investigado em São Paulo, além de mandados expedidos em outros estados.

Como: O contrato localizado indica que o escritório de Wilians adquiriu o “betcóptero” pelo valor de US$ 5,5 milhões, em acordo datado de 28 de outubro de 2024, com entrada de US$ 550 mil e mais nove parcelas do mesmo valor. Nos documentos apreendidos também constam dois comprovantes de pagamento da Pix Star — empresa registrada em Curaçao — em favor do escritório Nelson Wilians Advogados, totalizando R$ 9,8 milhões: R$ 4,8 milhões em 24 de julho de 2023 e R$ 5 milhões em 18 de agosto de 2023.

Além disso, uma nota fiscal de prestação de serviços associada à operação do helicóptero foi emitida pela EJFS Negócios e Participações, empresa de propriedade de Ernildo Junior, segundo o relatório da PF. Os federais concluem que a posse e o uso das aeronaves configuram um ponto de convergência patrimonial entre a PixBet e o escritório de Wilians, apontando para sobreposição de propriedade e usufruto.

A investigação afirma existir uma confusão patrimonial que poderia indicar, conforme o relatório, operações financeiras destinadas a ocultar bens vinculados aos clientes do escritório. A Operação Arena apura uso de estrutura societária e financeira no exterior para ocultar recursos oriundos da exploração de jogos de azar e apostas esportivas, com foco na PixBet e em empresas vinculadas, como a PixStar.

Foram expedidos, ao todo, 17 mandados de busca e apreensão pela 4ª Vara Federal da Paraíba, além de medidas para quebra de sigilo telemático e bancário e pedido de sequestro de bens de até R$ 1,1 bilhão nos estados da Paraíba, de São Paulo, de Sergipe, do Rio de Janeiro e do Paraná. A PF aponta que os investigados podem responder por crimes que incluem evasão de divisas, lavagem de dinheiro e demais ilícitos contra o sistema financeiro nacional.

Em nota, o advogado Santiago Schunck, que representa Nelson Wilians, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet “é estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia, ressaltando que a atuação do escritório não se confunde com as atividades empresariais dos clientes. O g1 informou que tenta contato com a defesa dos demais investigados.

Com informações de G1