O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires iniciou uma sindicância interna depois de detectar inconsistências em laudos radiológicos emitidos por uma empresa contratada de São Paulo. A PBSaúde, que administra a unidade, confirmou nesta quarta-feira (4) o afastamento de profissionais ligados ao serviço de telerradiologia após denúncia exibida pela TV Cabo Branco na semana anterior.

A apuração interna teve início em 10 de fevereiro, quando a Coordenação Médica da UTI Cardiológica comunicou à direção do hospital possíveis falhas em laudos de exames de imagem. Em resposta, a fundação afirmou ter solicitado a revisão dos relatórios questionados e consultado especialistas; os laudos apontados foram refeitos.

Segundo a administração, foi feita notificação formal à empresa responsável pelo serviço solicitando esclarecimentos sobre os erros. Em retorno, parte da equipe médica envolvida, incluindo o médico responsável pela empresa terceirizada, foi afastada enquanto a investigação prossegue.

Convocação de concursados

A PBSaúde informou que está em fase avançada dos trâmites para convocar médicos radiologistas aprovados no último concurso público, com a intenção de ampliar o quadro de especialistas da unidade. A fundação ressaltou ainda que a responsabilidade técnica pelos laudos é individual e negou omissão da administração no caso.

O hospital, referência em cardiologia e neurologia na Paraíba, explicou que mantém uma central de emissão de laudos composta por quatro empresas credenciadas, responsáveis por Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões do estado, além de ultrassonografias. Segundo a PBSaúde, esse modelo visa agilizar a liberação de resultados, garantir atendimento contínuo e oferecer suporte especializado às equipes assistenciais.

Profissionais ouvidos pela TV Cabo Branco relataram, em carta interna, que erros nos laudos têm ocorrido de forma reiterada desde outubro do ano passado, quando houve alteração na prestação do serviço e a empresa terceirizada passou a emitir os relatórios. No documento, apontam que os exames vêm apresentando descrições técnicas sucintas e, por vezes, conclusões genéricas.

Um dos médicos alertou para situações de risco, citando um caso em que imagem mostraria aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões, não mencionado no laudo, o que caracteriza emergência que pode levar a desfechos graves se não tratada rapidamente.

Sindicância do CRM-PB e apuração do Ministério Público

Na sexta-feira (27) o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) anunciou a abertura de sindicância para apurar as supostas falhas nos laudos. O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro, confirmou que o processo será conduzido pela corregedoria e informou que uma inspeção já identificou pontos a serem aprimorados, inclusive na UTI.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também instaurou apuração e realizou vistoria no hospital nesta quarta-feira (4), com inspeção nas instalações do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI). A promotoria de Santa Rita vai analisar a documentação entregue pela direção antes de decidir os próximos passos. O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) registrou que foi procurado por profissionais da unidade e acompanha o caso.

As investigações administrativas e externas permanecem em andamento enquanto a direção do hospital e as autoridades competentes reúnem documentos e relatórios técnicos para conclusão das apurações.

Com informações de Jornaldaparaiba