TRANSMISSÃO: do g1 PB no WhatsApp Para a TV Cabo Branco
A direção do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Grande João Pessoa, informou que estuda não renovar o contrato com uma empresa de São Paulo responsável por parte dos laudos de exames de imagem, após denúncias de erros por profissionais da unidade.
O contrato com a prestadora tem vigência até abril. A questão será tratada em audiência que contará com participação do Ministério Público da Paraíba (MPPB), segundo comunicado da unidade à TV Cabo Branco.
Profissionais do hospital relataram que as falhas nos laudos ocorrem desde outubro de 2025, período que coincide com a substituição dos radiologistas que atuavam internamente pela contratação da empresa externa. Antes dessa mudança, os laudos eram emitidos pelos radiologistas do próprio hospital.
A direção afirma que uma apuração interna teve início em 10 de fevereiro, após informação encaminhada pela Coordenação Médica da UTI Cardiológica. A investigação interna teria confirmado inconsistências em laudos de radiologia assinados pela empresa.
Em resposta às alegações, a administração relata que notificou diretamente a empresa para que apurasse os problemas apontados. Membros da equipe médica ligados à emissão dos laudos foram afastados enquanto se apuram os fatos. Paralelamente, a fundação que administra o hospital instaurou uma sindicância para investigar os erros.
O Ministério Público da Paraíba, por meio da promotoria de Santa Rita, realizou inspeção nas instalações do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) e no setor de radiologia do hospital em 4 de março. Também foi verificada a operação do serviço de telerradiologia responsável pela emissão dos laudos; o MPPB mantém acompanhamento do caso.
O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) abriu sindicância para apurar as ocorrências, e o Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) informou que foi procurado por médicos do Metropolitano que denunciaram o problema. Ambas as instituições acompanham a situação.
Uma carta interna assinada por profissionais da unidade, a que a TV Cabo Branco teve acesso, descreve que os laudos com erro ocorrem de forma reiterada e tendem a ser excessivamente sucintos, sem detalhamento técnico dos achados tomográficos. Em um caso citado por um profissional, um aneurisma de aorta torácica de grande dimensão não teria sido identificado no laudo, o que, segundo ele, representa risco imediato ao paciente.
Sobre a mudança na emissão de laudos, a direção disse que dispõe de uma central de laudos formada por quatro empresas credenciadas, responsáveis por laudos de ressonância magnética e tomografia computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões da Paraíba, além da realização de ultrassonografias. A fundação declarou que o modelo foi adotado para agilizar a liberação de resultados, garantir atendimento contínuo e oferecer suporte especializado às equipes médicas.
A PB Saúde afirmou que divergências de interpretação podem ocorrer em exames de alta complexidade e ressaltou que a elaboração do laudo é um ato médico técnico, baseado em critérios científicos e de responsabilidade do profissional que o assina. A instituição também destacou que a conduta clínica é definida pela equipe assistencial com base na avaliação completa do paciente, incluindo exame físico, histórico e demais informações clínicas, e que o laudo é um componente essencial do processo diagnóstico, mas não o único elemento para a definição da estratégia terapêutica.
O caso segue sob investigação pelas autoridades competentes e poderá influenciar a decisão sobre a renovação do contrato quando chegar o término previsto em abril.
Com informações de G1



