Uma idosa de 77 anos, identificada como Maria das Neves, relata demora no agendamento de cirurgia corretiva no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, na Grande João Pessoa, após desenvolver uma fístula no ouvido em consequência de procedimento anterior. A família afirma não ter recebido prazo para o terceiro procedimento previsto e acusa falta de transparência no atendimento.

O tratamento teve início no Hospital Princesa Isabel, no bairro do Tambiá, em João Pessoa, mas a família preferiu transferi-lo ao Metropolitano, unidade considerada referência em diversos procedimentos na Paraíba. Segundo parentes, uma operação já foi realizada e uma terceira estava programada, porém o agendamento não ocorreu.

A filha da paciente, Maria Amélia, disse que os familiares têm sido informados de justificativas variadas, como falta de material ou lista grande de espera, sem previsão concreta de data para a nova cirurgia. A família afirma sentir insegurança diante da incerteza sobre o atendimento.

Clinicamente, a fístula no ouvido consiste na ruptura das membranas que separam o ouvido médio do ouvido interno, com vazamento de líquidos. Entre os sintomas associados estão perda auditiva súbita, vertigem intensa, zumbido e sensação de pressão.

Problemas em laudos e apurações

Ao mesmo tempo em que o caso da idosa é acompanhado pela família, profissionais do Hospital Metropolitano encaminharam à imprensa uma carta interna apontando falhas recorrentes em laudos de exames de imagem. No documento, servidores afirmam que as descrições dos achados tomográficos têm sido excessivamente sucintas e, por vezes, limitadas a conclusões genéricas.

Segundo os profissionais ouvidos pela TV Cabo Branco, os erros teriam começado em outubro, quando a emissão dos laudos deixou de ser feita por radiologistas da própria unidade e passou a ser terceirizada por uma empresa contratada. Um dos médicos relatou um caso em que um laudo não teria identificado um aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões, situação que ele classificou como emergência médica com risco de morte.

Procurado pela Rede Paraíba sobre o caso da idosa, o Hospital Metropolitano, administrado pela Fundação PBSaúde do Governo do Estado, informou que não iria se pronunciar.

Em resposta às críticas sobre a terceirização dos laudos, a Fundação PBSaúde afirmou que a unidade conta com uma central de laudos formada por quatro empresas credenciadas, responsáveis por emitir resultados de ressonância magnética e tomografia computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões da Paraíba, além da realização de ultrassonografias. Segundo a fundação, o modelo foi adotado para acelerar a liberação de resultados, manter atendimento contínuo e oferecer suporte especializado às equipes médicas.

A PBSaúde também declarou que divergências de interpretação podem ocorrer em exames de alta complexidade e ressaltou que a elaboração do laudo é um ato médico baseado em critérios científicos, cabendo ao profissional que o assina a responsabilidade técnica. A instituição acrescentou que a conduta clínica é definida pela equipe assistencial com base na avaliação completa do paciente, que inclui histórico, exame físico e demais informações clínicas, além do laudo de imagem.

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) anunciou, nesta sexta-feira (27), a abertura de sindicância para apurar possíveis erros em laudos no Hospital Metropolitano. O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro, informou que o processo será conduzido pela corregedoria do órgão. Durante inspeção na unidade no mesmo dia, foram identificados pontos a serem aprimorados, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e o conselho concedeu prazo de sete dias para a correção das irregularidades.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também informou que vai instaurar procedimento para apurar as denúncias. O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) confirmou que foi procurado por profissionais do hospital e acompanha o caso.

Com informações de G1