A área que hoje é um terreno na Avenida Coronel Calixto, em Mangabeira, João Pessoa, abrigava a Paróquia Nossa Senhora das Dores, demolida em agosto de 2025. A paróquia atribui a demolição a danos estruturais que teriam surgido após intervenções realizadas em obras públicas no entorno do templo, segundo o pároco Paulo Henrique.
De acordo com o padre, a prefeitura iniciou, em janeiro de 2025, a construção de uma praça defronte à igreja e, durante o trabalho, foi retirada a calçada lateral sem autorização, deixando parte da estrutura exposta. Com isso, teriam aparecido infiltrações e fissuras, agravadas pelas chuvas de maio do mesmo ano. Avaliações técnicas apontaram risco de desabamento, o que, com anuência da Arquidiocese da Paraíba, resultou na decisão de demolir o prédio.
A Arquidiocese informou que acompanha o caso e que as informações fornecidas pelo pároco refletem o posicionamento da instituição. O Jornal da Paraíba tentou contato com a Prefeitura de João Pessoa e com a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) sobre a possível responsabilidade da obra, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.
Projeto de reconstrução
A paróquia estima o custo da reconstrução em R$ 2,2 milhões, dividido em três etapas: aterro e construção de muro; fundação e montagem da estrutura pré-moldada; e fechamento em alvenaria. A antiga matriz ocupava cerca de 350 metros quadrados. O novo projeto prevê aproximadamente 1.000 metros quadrados, com capacidade para 716 fiéis sentados.
Segundo o pároco, foram executadas a drenagem pluvial, a demolição da velha matriz e a devolução do terreno. A prioridade definida pela paróquia é erigir primeiro o muro por motivos de segurança; a previsão era iniciar essa etapa em 15 de abril, mas levantamento no local indicou que a obra ainda não começou. Para viabilizar a reconstrução, a paróquia lançou uma campanha de arrecadação em março de 2026 e organizou uma equipe de paroquianos para apoiar o processo.
Impacto na comunidade
A perda do templo afetou cerimônias e rotina de moradores. Fiéis relataram ter sido surpreendidos pela demolição e precisaram remarcar celebrações. Uma frequentadora disse que perdeu a possibilidade de realizar ali a cerimônia religiosa de casamento, marcada para novembro de 2025, depois que a informação sobre a demolição chegou.
O padre Paulo Henrique disse que técnicos avaliaram reforços estruturais, como reconstrução de paredes e colocação de novas colunas, mas que a solução não avançou por falta de segurança para ocupação parcial. A paróquia afirma também que a prefeitura negou ser responsável pelos danos e não se dispôs a colaborar na reconstrução.
Problemas em praças do bairro
Moradores de Mangabeira relatam ainda falta de manutenção em várias praças. Na Praça Bosque das Águas, na Rua Comerciante José Cândido dos Santos, foram apontados acúmulo de lixo, brinquedos quebrados, falta de poda e uma ponte danificada com consertos improvisados por moradores. Em outra praça, na Rua Airton Pinheiro de Farias, foram observados acúmulo de entulho, pontos com água parada, estruturas danificadas e ausência de iluminação. Na praça da Rua Francisco Rocha Ferreira, moradores citam brinquedos quebrados, vegetação sem poda e quadras com grades danificadas e partes enferrujadas.
Em nota, a Secretaria de Serviços Urbanos e Zeladoria (Sesuz) informou que enviou uma equipe ao local e que atenderá as praças de Mangabeira com serviços de zeladoria e manutenção nos próximos 30 dias. Moradores, porém, afirmam que as intervenções iniciadas ainda não foram concluídas e que os problemas persistem.
Mangabeira completou 43 anos na última quinta-feira (23) e é o bairro mais populoso da capital, com mais de 70 mil habitantes. A paróquia, fundada em 1944, passou por duas reformas ao longo da história e foi o primeiro templo religioso da região.
Com informações de Jornaldaparaiba




