Estudo analisa efeitos de agentes químicos em abelhas

Uma investigação conduzida na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Paraíba, mostrou que a exposição a determinados inseticidas reduz a capacidade de voo de abelhas africanizadas. Segundo os pesquisadores, a diminuição do desempenho locomotor pode afetar a coleta de néctar, a polinização de plantas e o retorno dos insetos às colmeias.

O trabalho, publicado em 11 de janeiro de 2026 no Brazilian Journal of Biology, avaliou operárias submetidas a doses subletais de compostos comumente aplicados em plantações comerciais. Em ambiente controlado, os cientistas utilizaram dispositivos de análise de voo – conhecidos como “flight mills” – para registrar parâmetros como distância percorrida, tempo total de voo e velocidade média.

Os resultados indicaram que, após a aplicação dos inseticidas, houve redução significativa na duração dos voos e na quilometragem percorrida pelas abelhas. Além disso, observou-se alteração no metabolismo energético dos insetos, com elevação do consumo de oxigênio e menor eficiência de gasto calórico durante o trabalho de voo.

De acordo com os autores do estudo, esses déficits no desempenho locomotor podem aumentar a taxa de mortalidade das abelhas em ambientes externos, uma vez que indivíduos com voo comprometido têm dificuldade para escapar de predadores, localizar recursos alimentares ou retornar ao ninho antes do entardecer.

As abelhas africanizadas são fundamentais para a manutenção de ecossistemas e para a produtividade agrícola, já que atuam como polinizadoras de diversas culturas. A redução da atividade de voo nesses insetos pode refletir em menor polinização de flores, com possíveis impactos econômicos e ambientais para o setor agropecuário.

O estudo reforça a importância de práticas agrícolas sustentáveis e recomenda a adoção de técnicas de manejo integrado de pragas. Entre as estratégias apontadas pelos pesquisadores estão a utilização de produtos alternativos menos tóxicos e a criação de áreas de refúgio para insetos polinizadores, com o objetivo de preservar a saúde das colmeias e dos serviços ecossistêmicos prestados pelas abelhas.

Com informações de Paraibaonline