Instituto Trata Brasil estima que ações voltadas à limpeza de praias, rios e córregos da Paraíba, além da ampliação do acesso à água tratada, podem gerar um retorno econômico de até R$ 1,7 bilhão no período de 2025 a 2040.

Segundo o estudo, o benefício financeiro está relacionado sobretudo ao incremento do turismo e à melhora na oferta de água com tratamento, fatores que influenciam tanto a escolha de destinos quanto a permanência dos visitantes. A pesquisa projeta um fluxo médio anual superior a R$ 108 milhões ao longo dos 15 anos analisados.

O levantamento aponta também que cerca de 245 milhões de litros de esgoto doméstico seguem sendo lançados diariamente em rios e praias do estado sem receber tratamento adequado, cenário que, conforme os autores do estudo, limita o pleno aproveitamento do potencial turístico e sanitário da região.

Na distribuição territorial dos ganhos estimados, a capital João Pessoa responde por 45,3% do total previsto, enquanto Campina Grande corresponde a 26,5% dos resultados projetados, segundo os dados do Instituto Trata Brasil.

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, ressalta que a percepção do turista está diretamente ligada à qualidade ambiental dos locais visitados. Ela afirma que contato com água contaminada ou com esgoto a céu aberto durante atividades recreativas eleva o risco de doenças de transmissão hídrica, o que prejudica a experiência do visitante e reduz a probabilidade de retorno ao destino.

Complementando a visão setorial, a professora de turismo e hotelaria da Universidade Federal da Paraíba, Denise Gadelha, observa que a existência de atrativos ainda preservados diferencia o estado em relação a outros destinos. Ela destaca que elementos como a orla com edificações de menor altura contribuem para a ventilação urbana e para a atratividade turística, mas lembra que há pontos a serem aprimorados para consolidar esse diferencial.

O estudo do Instituto Trata Brasil sugere que investimentos direcionados à despoluição e ao saneamento podem representar uma pré-condição para o pleno desenvolvimento das atividades turísticas e para a valorização ambiental na Paraíba.

Com informações de Jornaldaparaiba