Brasília, 30 de setembro de 2025 – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou de 5,2% para 4,8% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025. A nova estimativa segue o reajuste divulgado pelo Banco Central (BC) na semana passada, que também passou a prever inflação de 4,8% no próximo ano.
A atualização consta da Carta de Conjuntura assinada pelas pesquisadoras Maria Andréia Parente Lameiras e Tarsylla da Silva de Godoy Oliveira. Segundo elas, a valorização de aproximadamente 5% do real frente ao dólar no último trimestre e a sequência de queda nos preços dos alimentos sustentam o cenário de menor pressão inflacionária.
Alimentos e câmbio aliviam preços
Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,11%, com alta acumulada de 5,13% em 12 meses. Foi o terceiro mês seguido de recuo nos alimentos, motivando o Ipea a reduzir a expectativa de inflação desse grupo de 6,7% para 4,4% até dezembro. O órgão atribui o movimento à oferta ampliada, impulsionada pela previsão de safra recorde, e ao câmbio mais favorável, que barateia bens importados e insumos.
Serviços ainda pressionados
Apesar da moderação geral, o Ipea manteve em 6,2% a projeção para a inflação de serviços. O mercado de trabalho segue apertado: a taxa de desocupação medida pelo IBGE ficou em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, a menor da série iniciada em 2012.
Convergência com Banco Central e mercado
Vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, o Ipea ressalta que seu novo número aproxima-se das expectativas do boletim Focus, onde analistas projetam IPCA de 4,81% para 2025. A meta perseguida pelo BC é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que fixa o teto em 4,5%.
Selic elevada e INPC menor
As pesquisadoras observam que a desinflação avança “de forma gradual” sob forte aperto monetário. A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano desde junho, o nível mais alto desde julho de 2006, e o Comitê de Política Monetária indica mantê-la nesse patamar por período prolongado.
Imagem: Internet
No mesmo relatório, o Ipea reduziu a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 4,9% para 4,5%. O índice, que reflete o custo de vida das famílias com renda de um a cinco salários mínimos, acumula 5,05% em 12 meses até agosto.
Com os novos números, o instituto reforça a sinalização de convergência das expectativas de inflação, ainda que reconheça desafios no ritmo de queda dos preços.
Com informações de Agência Brasil




