Em abril deste ano, durante uma viagem ao Japão, a jornalista Alessandra Torres encontrou mais do que as diferenças culturais e estéticas que costumam atrair visitantes ao país. Entre as impressões destacadas, ela relata uma forte disciplina social, comportamentos metódicos e uma tendência a seguir regras e processos em busca de aperfeiçoamento.

A viagem teve propósito familiar: a filha de Alessandra, Alexandra, antecipou a comemoração dos seus 15 anos e foi a motivação principal do roteiro. Alexandra, que se interessou pela cultura japonesa por meio de animações, animes, mangás e especialmente do trabalho do Studio Ghibli, conduziu os pais a experiências marcantes durante a estadia.

Para contextualizar as observações, Alessandra procurou explicações históricas. Ela lembra que o Japão carrega uma trajetória milenar, com longos períodos de isolamento e tradições enraizadas. A partir do século XVII, sob o xogunato Tokugawa, o país permaneceu relativamente fechado à influência externa por mais de dois séculos.

A partir de 1868, com a Restauração Meiji, o Japão iniciou um processo de modernização acelerada, industrialização e abertura ao Ocidente. No começo do século XX, o país adotou políticas imperialistas e militaristas, ocupando territórios na Ásia e alinhando-se à Alemanha nazista e à Itália fascista durante a Segunda Guerra Mundial, integrando o Eixo.

A derrota em 1945 resultou em ampla destruição e abriu caminho para uma reconstrução política, econômica e social. O período pós-guerra culminou em uma nova constituição com princípios pacifistas e na reorganização democrática do país.

Alessandra observa que a disciplina japonesa não se explica apenas por fatores políticos: tradições culturais, valores de coletividade, pontualidade e compromisso com o trabalho também atravessam gerações e moldam comportamentos cotidianos.

Ela aponta, contudo, um custo associado a essa busca contínua pela excelência. Crianças e jovens são inseridos cedo em uma cultura de responsabilidades e desempenho, e esse padrão parece se intensificar nos grandes centros urbanos, como Tóquio.

Outro aspecto citado é o impacto do turismo global. Cidades como Tóquio e Kyoto passaram a receber grandes fluxos de visitantes, o que cria desafios para a convivência entre práticas de organização locais e o movimento turístico crescente.

No relato, Tóquio é apresentada como uma metrópole onde tradição e modernidade convivem de forma intensa; Osaka, como centro comercial de ritmo próprio; e Kyoto, como o lugar em que a autora teve seu encontro mais marcante com o Japão. Antiga capital imperial, Kyoto preserva templos, jardins e construções tradicionais que convidam a uma desaceleração.

Ao final da viagem, Alessandra descreve retorno encantada com a beleza, a história e a organização do país, mas também com a pergunta sobre o equilíbrio entre a busca pela perfeição e o tempo para viver. Em suas palavras, é essencial encontrar espaço para contemplação e celebração das conquistas.

Konnichiwa!

Com informações de Maispb