Brejinho das Ametistas como objeto de investigação

O escritor Jorge Couto Pimentel lançou “A Incrível Expedição a Brejinho das Amethystas”, publicado pela Folhas de Relva Edições. A obra propõe um recorte afetivo e documental sobre Brejinho das Ametistas, distrito de Caetité, no Alto Sertão da Bahia, que viveu seu auge em meados do século XX como um dos principais centros de extração e exportação de ametistas no país.

Pesquisa, equipe e percurso

Pimentel, filho de garimpeiro e de dona de casa e costureira, estreia na literatura com o livro. Após carreira em grandes centros e empresas multinacionais, retornou à sua terra natal para reconstruir a memória coletiva da comunidade. A investigação contou com a colaboração das jornalistas Chiara Quintão e Alexandre Staut, e incluiu deslocamentos dos garimpos do sertão baiano até a Alemanha, seguindo pistas documentais e materiais encontrados em museus europeus.

Imigração alemã e circulação monetária

Um dos pontos centrais levantados pela pesquisa é a presença de mineradores e empresários alemães provenientes de Idar-Oberstein, entre os séculos XIX e XX. Essa presença germânica resultou, segundo o livro, na criação de uma subsidiária da empresa H. Albert Becker em Brejinho e na circulação, a partir de 1918, de uma moeda de reposição própria no distrito. Pimentel recupera esse episódio por meio de documentos raros, cédulas originais e referências localizadas em artigos e acervos na Alemanha.

Fontes, oralidade e patrimônio

A investigação se apoia em documentos históricos, visitas a cemitérios e jazigos e em dezenas de entrevistas — o autor menciona cerca de 60 depoimentos — para dar voz aos moradores e personagens locais. Além do rigor documental, o livro registra causos e folclore regional, como relatos de visagens, lobisomens, mulas sem cabeça e a lenda do Livro de São Cipriano, e aborda a invisibilidade histórica de povos negros e originários da região.

Aspectos sociais e econômicos

Pimentel trata também das dinâmicas econômicas que marcam Brejinho: os ciclos de escassez e apogeu do garimpo, conflitos fundiários e as transformações recentes, como a instalação de parques eólicos e projetos de mineração de ferro. O autor discute o papel das “mulheres faisqueiras” nas rampas dos garimpos e resgata figuras nascidas na região, entre elas o cantor Waldick Soriano.

Capa e memória visual

A capa do livro é um óleo sobre tela do artista local Cidão, que recriou a antiga feira de tropeiros (barracão) de Brejinho das Ametistas a partir de recortes fotográficos e memória. A fotografia relacionada à publicação foi assinada por Humberto Pimentel. Segundo o autor, a pintura foi entregue por Cidão como presente e foi escolhida por traduzir a paisagem e a memória que o livro busca preservar.

Divulgação e reconhecimento

Formato narrativo

O relato, segundo o autor, adota metalinguagem em parte da narrativa: Pimentel transita entre o papel de pesquisador e o de personagem, narrando a travessia pessoal de retorno ao lugar de origem e a reconstrução coletiva da memória local. Entre as descobertas, destacam-se referências a um sítio arqueológico com cerca de seis mil anos na região (Moita dos Porcos), relatos de túneis e outras marcas materiais do passado.

O livro busca registrar e preservar a história de Brejinho das Ametistas, trazendo à tona documentos, depoimentos e imagens que, segundo o autor, ajudam a reconstituir a identidade e a memória de uma comunidade marcada pelo garimpo e por trocas culturais transatlânticas.

Com informações de Maispb