Quem: Juliana Soares, sobrevivente de uma agressão física grave.
O que: Ela anunciou a pré-candidatura a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Quando e onde: A formalização da pré-candidatura foi divulgada hoje; a agressão ocorreu em julho do ano passado dentro de um elevador em Natal.
Como e por que: A decisão de entrar na disputa eleitoral veio após mulheres procurarem Juliana pedindo que ela utilizasse a experiência de sobrevivente para atuar na formulação de leis de proteção. Desde o caso, ela tem se dedicado a atividades de ativismo contra a violência de gênero.
Detalhes sobre a agressão e o agressor
Juliana foi atacada com 61 socos pelo então namorado, identificado como Igor Eduardo Cabral, ex-atleta. Ela sofreu diversas fraturas faciais — no nariz, na maxila, nas maçãs do rosto, na mandíbula e na órbita ocular — e passou por cirurgias reconstructivas para recuperar os movimentos do rosto. Igor está preso desde o episódio, virou réu e aguarda julgamento por júri popular.
Da violência ao ativismo
Após sobreviver a uma tentativa de feminicídio, Juliana transformou a experiência em ativismo: passou a fazer palestras e recebeu homenagens. Ela relatou ter sido procurada por muitas mulheres que viveram situações semelhantes e que isso pesou na decisão de disputar um cargo eletivo, com o objetivo de defender mudanças legais em favor das vítimas.
Ao explicar a opção pelo PT, Juliana citou afinidade ideológica de longa data e a confiança nas políticas públicas como instrumentos de transformação. Ela também destacou o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) no seu processo de tratamento, indicando que utilizou o serviço para cirurgias, reabilitação e acompanhamentos pós-operatórios.
Hostilidade online
O anúncio da pré-candidatura intensificou ataques que Juliana já vinha recebendo nas redes sociais por sua posição política. Ela afirma ter passado a receber centenas de comentários ofensivos desde que se declarou de esquerda. Entre as mensagens publicadas em suas redes, há ofensas degradantes que fizeram referência à agressão sofrida.
Juliana afirmou que discordâncias políticas não justificam ataques à sua pessoa ou à sua história e defendeu o respeito às posições divergentes dentro de um regime democrático.
Em caso de violência contra a mulher, denuncie: ligue 190 para a polícia, 180 para a Central de Atendimento à Mulher ou acione o Disque 100, canal de direitos humanos.
Com informações de Polemicaparaiba



