João Pessoa – O pedreiro Abraão Avelino da Fonseca foi absolvido, nesta quinta-feira (13), da acusação de participar do assassinato do universitário Clayton Thomaz de Souza, conhecido como Alph. O julgamento ocorreu no Fórum Criminal de João Pessoa e terminou com a decisão dos jurados pela inocência do réu.

Abraão era apontado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) como coautor do crime, ocorrido em fevereiro de 2020. De acordo com a denúncia, ele e Selena – condenada em 16 de abril deste ano a 17 anos e quatro meses de prisão – teriam saído com a vítima no dia 6 de fevereiro de 2020, do bairro Castelo Branco, no carro da própria Selena. O grupo seguiu para a comunidade Aratu, onde Abraão residia, e, segundo a acusação, ali ocorreu o disparo que matou o estudante.

A defesa, contudo, apresentou dados extraídos da quebra de sigilo telefônico de Abraão. O registro de GPS indicou que, no momento estimado do crime, o aparelho do pedreiro não se encontrava na mesma área que os telefones de Alph e de Selena. A informação gerou dúvida entre os jurados, que votaram pela absolvição.

Corpo encontrado em mata

Clayton Thomaz foi localizado no dia 8 de fevereiro de 2020, com marcas de tiros, em uma região de mata às margens de uma estrada no bairro de Gramame, Zona Sul da capital paraibana. A identificação oficial do corpo só ocorreu nove dias depois, em 17 de fevereiro.

Fuga e apresentação

Desde o crime, Abraão estava foragido. Ele se apresentou diretamente para o júri popular nesta quinta-feira (13), data agendada para o julgamento, e compareceu acompanhado por advogados.

Evidências consideradas na investigação

A investigação reuniu depoimentos de testemunhas que afirmaram ter visto o estudante com os dois acusados no dia do desaparecimento. Também foram usados registros de antenas de telefonia celular que colocavam Alph e Selena na mesma localização em 6 de fevereiro de 2020. No porta-malas do veículo de Selena, peritos encontraram vestígio compatível com sangue humano, posteriormente confirmado em exame.

O inquérito apontou como possível motivação um desentendimento amoroso: Selena mantinha relacionamento com Abraão e, paralelamente, se envolvia com Alph. Apesar das suspeitas, os jurados entenderam que as provas apresentadas não foram suficientes para condenar o segundo acusado.

Recurso do Ministério Público

Ao fim da sessão, o Ministério Público anunciou que recorrerá da decisão. O órgão busca reverter a absolvição e sustentou, durante o julgamento, que havia elementos para responsabilizar Abraão pelo homicídio.

Já Selena segue presa, cumprindo a pena determinada em abril. O processo contra ela transitou em primeira instância, também perante o Tribunal do Júri.

Clayton Thomaz de Souza, militante do movimento estudantil da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tinha 23 anos quando foi morto. A família acompanha os desdobramentos judiciais em busca de responsabilização definitiva dos envolvidos.

Com informações de Jornaldaparaiba