Abraão Avelino da Fonseca, apontado como segundo envolvido na morte do estudante universitário Clayton Thomaz de Souza, o “Alph”, foi absolvido em julgamento realizado nesta quinta-feira, 13 de novembro de 2025, no Fórum Criminal de João Pessoa. Foragido desde 2020, o réu compareceu espontaneamente apenas no momento em que o tribunal do júri teve início.

Defesa questiona localização de celular

Segundo o juiz responsável pela sessão, Antônio Gonçalves Ribeiro Júnior, o corpo de jurados decidiu pela inocência após a defesa apresentar dados obtidos com a quebra de sigilo telefônico do acusado. Os registros indicaram que, no horário estimado do crime, o aparelho de Abraão não estava na mesma área onde os celulares de Alph e de Selena Dantas, primeira denunciada, foram registrados. A divergência de localização reforçou a tese de que o então foragido não teria participado da execução.

Posicionamento do Ministério Público

Apesar do pedido de condenação formulado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), a promotoria não convenceu os jurados. Minutos após o veredicto, o órgão anunciou que vai recorrer da decisão. O MP sustenta que as demais provas reunidas ao longo da investigação — depoimentos, laudos periciais e registros telefônicos — conectam Abraão à dinâmica do assassinato.

Relembre o caso

Clayton Thomaz de Souza desapareceu em 6 de fevereiro de 2020. De acordo com a denúncia, naquele dia ele saiu do bairro Castelo Branco, na capital paraibana, no carro de Selena Dantas, acompanhado também por Abraão, rumo à comunidade Aratu, onde o segundo réu morava. No local, teria sido baleado e morto. O corpo foi colocado no porta-malas e abandonado em uma área de mata às margens da estrada de Gramame. A vítima só foi encontrada em 8 de fevereiro e identificada no dia 17 do mesmo mês.

As investigações apontaram como motivação um desentendimento amoroso: Selena mantinha relacionamento com Abraão e, ao mesmo tempo, se envolvia com Alph. Testemunhas relataram ter visto os três juntos no dia do desaparecimento. Antenas de telefonia também registraram sinais simultâneos dos aparelhos de Clayton e de Selena naquela data e localidade. Além disso, vestígios de sangue coletados no porta-malas do veículo de Selena foram confirmados por exame pericial.

Condenação de Selena

Primeira a ser julgada, Selena Dantas foi condenada em 16 de abril de 2024 a 17 anos e quatro meses de prisão. A decisão ainda é passível de recurso. Já Abraão, beneficiado pelo veredicto desta quinta-feira, deixa de responder pelo homicídio, a menos que o recurso do Ministério Público venha a modificar o resultado.

Outras linhas de apuração

No decorrer do inquérito, a Polícia Civil investigou também supostos atritos entre Alph e seguranças da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde o estudante era ativo no movimento estudantil. Após quebras de sigilo telefônico e depoimentos, não foram encontrados indícios que ligassem esses seguranças ao crime, e a linha de investigação foi descartada.




Com a absolvição de Abraão, o processo segue com desfechos distintos para os dois acusados. Enquanto a defesa comemora o resultado, a acusação prepara recurso, mantendo em aberto a possibilidade de um novo julgamento.

Com informações de G1