A 4ª Vara Criminal de João Pessoa determinou o arquivamento do inquérito que apurava suposto discurso de ódio da banda paulista de punk rock Garotos Podres. A decisão, assinada em 28 de novembro e tornada pública nesta terça-feira (23), concluiu que não há provas de que o grupo tenha executado músicas consideradas ofensivas durante apresentação realizada em 15 de fevereiro de 2025, em uma casa de shows particular na capital paraibana.

A investigação havia sido aberta na Delegacia de Repressão a Crimes Homofóbicos, Étnico-Raciais e de Intolerância Religiosa depois de denúncia apresentada por um frequentador da cena cultural local. O denunciante alegou que as canções “Fernandinho Viadinho”, “Führer” e “Voltem pro Nordeste” teriam sido tocadas naquela noite, configurando, segundo ele, conteúdo discriminatório.

No despacho judicial, o magistrado destacou que todas as testemunhas ouvidas — incluindo integrantes da banda, produtor responsável pela turnê e funcionários da casa de espetáculos — foram unânimes ao afirmar que as faixas mencionadas não fizeram parte do repertório. O arquivo de vídeo do show, anexado aos autos, também foi examinado pela polícia e não registrou a execução de nenhuma das três composições.

Canções citadas já não fazem parte do setlist

De acordo com depoimento do vocalista Mao e dos demais músicos, “Fernandinho Viadinho” foi retirada das apresentações há décadas, enquanto “Führer” não é tocada há mais de 30 anos. Já “Voltem pro Nordeste” sequer pertence ao catálogo autoral dos Garotos Podres. A decisão ressalta que o próprio denunciante admitiu não ter comparecido ao evento, baseando-se em conteúdos encontrados na internet.

Repercussão nas redes sociais

Na semana anterior à divulgação do despacho, o vocalista comentou em suas redes que o grupo estava sendo investigado por causa da música “Papai Noel, Velho Batuta”, lançada em 1985, o que gerou ampla repercussão entre fãs e músicos do cenário punk. A defesa formal do grupo não foi localizada para confirmar se o artista se referia ao processo arquivado na Paraíba, mas a decisão desta terça-feira esclarece o desfecho de um dos inquéritos em curso.

Com o caso encerrado, não restam medidas pendentes contra os integrantes no âmbito da Justiça estadual paraibana. O juiz salientou que, “diante da ausência de respaldo probatório mínimo”, seria inviável prosseguir com qualquer persecução penal, optando pelo arquivamento sumário.

A banda Garotos Podres, formada no ABC paulista nos anos 1980, segue em atividade com repertório centrado em críticas sociais e políticas. Após a decisão, o grupo mantém agenda de shows pelo país, sem restrições judiciais relacionadas ao episódio investigado em João Pessoa.

Com informações de G1