O acordeonista, arranjador e compositor Kiko Horta encerra 2025 com o lançamento de seu primeiro disco individual, Sanfona Carioca, registrado pelo selo Mestre Sala. O projeto reúne oito releituras de autores consagrados e duas faixas próprias, propondo um percurso pela presença da sanfona na produção musical do Rio de Janeiro e dedicando um tributo explícito ao mestre paraibano Sivuca.

Gravado na capital fluminense, o trabalho convocou músicos de destaque na cena instrumental. O pandeiro de Marcus Suzano, o violão de sete cordas de Luís Filipe de Lima, o bandolim de Luiz Barcelos e o contrabaixo elétrico de Ivan Machado formam a base que sustenta a sanfona de Horta. A produção ficou a cargo do próprio acordeonista em parceria com Luís Filipe de Lima.

Repertório plural

Entre as composições escolhidas estão “Deixa o breque pra mim” (Altamiro Carrilho), “Catita” (K-Ximbinho), “Chorinho de gafieira” (Astor Silva) e “Comigo é assim” (Zé Menezes). O álbum também revisita “Chorinho pro Miudinho” de Dominguinhos, “Meu lugar” de Arlindo Cruz e Mauro Diniz, além de duas criações de Sivuca: “Dino pintando o Sete cordas” e “Um tom para Jobim”, esta última escrita em parceria com Oswaldinho.

As faixas autorais de Horta são “Recomeço”, concebida durante o período de isolamento da pandemia, e “Forró Transcendental”, composta ainda na juventude do músico em rodas de forró no Morro Santa Marta. O conjunto passeia por samba, bossa nova, jongo, gafieira, choro, forró e jazz, reforçando a proposta de evidenciar a versatilidade do acordeom em território carioca.

Por que o disco só agora?

Ao longo de duas décadas, Kiko Horta dividiu-se entre o carnaval do Cordão do Boitatá, atividades acadêmicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) – onde cursou bacharelado em arranjo, concluiu mestrado e iniciou doutorado – e o magistério na Casa do Choro e na Escola Portátil. Paralelamente, gravou e excursionou com nomes como Martinho da Vila, Edu Lobo, Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Gilberto Gil e Nelson Sargento. “Esse álbum era um desejo antigo, mas só se tornou viável depois de reunir toda a experiência acumulada”, resume o músico.

Influências declaradas

Em Sanfona Carioca, Horta homenageia referências que moldaram sua linguagem no instrumento, entre elas Luiz Gonzaga, Orlando Silveira, Dominguinhos, Chiquinho do Acordeom, Hermeto Pascoal e João Donato. A principal reverência, porém, é a Sivuca, cuja sonoridade combina virtuosismo e integração de gêneros – abordagem que Horta busca reproduzir com sotaque fluminense.

O lançamento marca a transição do artista – conhecido pela participação em coletivos como o Forró do Kiko e o Cordão do Boitatá – para um percurso em que a sanfona assume protagonismo absoluto. Disponível nas plataformas digitais e em edição física, o disco aposta na união de tradição e experimentação para reposicionar o acordeom no centro da música feita na cidade do Rio.

Com informações de Maispb