Um laudo do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) identificou concentração elevada de bactérias em amostras de alimentos coletadas em uma pizzaria de Pombal, no Sertão do estado. O episódio é investigado por Polícia Civil, Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB) depois de mais de cem pessoas terem procurado atendimento médico entre os dias 15 e 17 de março, e de uma mulher ter morrido.

Resumo do caso

Na noite de 15 de março, centenas de clientes consumiram produtos no estabelecimento. Mais de 100 pessoas foram atendidas entre a própria noite do domingo e a terça-feira (17) nas unidades de saúde de Pombal — a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Hospital Regional — com sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral. A Vigilância Sanitária Municipal interditou o local no dia 16 de março.

Óbito ocorrido em 17 de março

Três dias após a ingestão, Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, morreu no Hospital Regional de Pombal. Ela deu entrada na unidade em 16 de março com quadro de diarreia, vômitos e dor abdominal e foi encaminhada à UTI em estado considerado gravíssimo pelos médicos. O namorado, que também havia comido no mesmo dia, precisou de atendimento, mas não evoluiu para quadro grave. Raíssa foi enterrada em 18 de março.

Vistoria e amostras

Em inspeção realizada em 17 de março, a Agevisa-PB relatou falhas sanitárias no estabelecimento, incluindo ausência de documentos sobre Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), falta de protocolos de higiene e controle de pragas, presença de insetos, conservação inadequada de equipamentos e reaproveitamento de recipientes. A equipe recolheu amostras de alimentos para análise laboratorial.

Investigações em andamento

A Polícia Civil abriu inquérito no dia 17; o delegado Rodrigo Barbosa informou que já colheu depoimentos, inclusive do administrador do estabelecimento, e que solicitou perícias do Instituto de Polícia Científica (IPC) em restos de alimentos e no corpo da vítima. O Ministério Público também instaurou procedimento administrativo em 18 de março para apurar os fatos, com requisições a órgãos como Vigilância Sanitária, Polícia Civil e o Hospital Regional, segundo a promotora Patrícia Napoleão de Oliveira.

Perícia e hipóteses

Em 20 de março, a necropsia inicial não identificou sinais macroscópicos clássicos de intoxicação alimentar, segundo o perito Luiz Rustenes, que afirmou que exames toxicológicos mais detalhados estão em curso. A polícia informou que investiga se o sabor de pizza consumido — carne de sol na nata — foi a origem do surto, sem excluir ainda a possibilidade de contaminação por tóxicos ou erro na manipulação.

Resultado do Lacen

No sábado (28), o secretário de Saúde do estado, Ari Reis, divulgou que o Lacen-PB detectou alta concentração de Staphylococcus aureus e Escherichia coli em amostras de alimentos retiradas da pizzaria. Amostras biológicas de pacientes não apontaram bactérias patogênicas, e não foi encontrada Salmonella nas análises. O Lacen indicou que a contaminação provavelmente decorre de falhas na manipulação dos alimentos, mas afirmou que ainda não é possível afirmar que a presença bacteriana foi a causa direta do óbito. Como o laboratório estadual não realiza identificação de toxinas no sangue, as amostras serão encaminhadas a outro laboratório fora do estado, com prazo de até 15 dias úteis para resultado.

As apurações seguem com os órgãos competentes para esclarecer a origem da contaminação e o papel que as bactérias encontradas podem ter tido no surto.

Com informações de G1