TRANSMISSÃO: do g1 PB no WhatsApp “Na primeira semana eu praticamente não consumi n | Band”
O jornalista e escritor paraibano Phelipe Caldas está produzindo um livro sobre a vida de Gerson de Melo, o jovem de 19 anos que morreu após invadir o recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa. A obra tem previsão de publicação em 2026, com intenção de sair até novembro, quando se completa um ano do episódio.
Gerson morreu em 30 de novembro de 2025. Segundo Phelipe, a proposta do trabalho é ir além da cobertura jornalística inicial, investigando a trajetória do jovem. “Na primeira semana eu praticamente não consumi nenhuma notícia sobre o caso, porque me provocava muita repulsa a forma como o caso estava sendo explorado, principalmente nas redes sociais”, disse o autor.
A pesquisa para o livro teve início em 9 de dezembro de 2025 e já inclui mais de 40 entrevistas e a análise de mais de 10 mil páginas de documentos públicos. O projeto busca reconstruir a vida de Gerson, marcada por pouco contato familiar, passagens por instituições de acolhimento e episódios ligados à saúde mental.
Objetivos e temas
Além de relatar os eventos que levaram à morte do jovem, o autor pretende contextualizar questões como saúde mental, tratamento psicológico e a implementação da lei antimanicomial. Phelipe afirmou que vai detalhar a trajetória dos 19 anos de Gerson e aprofundar temáticas que cruzaram sua vida, com a expectativa de provocar reflexões sobre abandono e vulnerabilidade social.
O autor também destacou a esperança de que o livro contribua para debates mais amplos: segundo ele, casos semelhantes podem ocorrer com frequência sem repercussão, e a exposição do caso de Gerson, por sua dimensão trágica, trouxe a discórdia sobre como o Estado e a sociedade lidam com pessoas com transtornos mentais.
Contexto familiar e judicial
Gerson tinha diagnóstico de esquizofrenia, mas não recebia acompanhamento psicológico contínuo. A família apresenta histórico de transtornos mentais: a mãe perdeu o poder familiar em razão da esquizofrenia, o pai era ausente, quatro irmãos foram adotados e a avó, que ficou responsável por ele, também tem transtornos mentais. Gerson viveu em instituições de acolhimento até completar 18 anos; após a maioridade, passou por centros psiquiátricos e pelo sistema prisional.
Um mês antes da morte, a Justiça determinou a internação de Gerson em instituição de longa permanência para tratamento, decisão proferida pelo juiz Rodrigo Marques de Silva Lima sob o argumento de que o atendimento ambulatorial era insuficiente — a medida, entretanto, não foi cumprida. Cerca de uma semana antes do episódio na Bica, ele havia sido detido por lançar uma pedra em uma viatura da Polícia Militar.
Inquérito e perícia
O inquérito que investigava a morte foi arquivado pela 1ª Vara Regional de Garantias na quarta-feira, 11 de março de 2026. A juíza Michelini Jatobá concluiu que não houve influência de terceiros no evento, citando relatos sobre o histórico de vulnerabilidade psíquica de Gerson trazidos pela conselheira tutelar Verônica Silva de Oliveira. A decisão também mencionou laudos periciais, exame do corpo e perícia no local.
Relatório do Ibama apontou que o Parque Arruda Câmara atendia às normas de segurança, com muros de cerca de oito metros e telas inclinadas para impedir invasões. Durante a apuração, a 2ª Delegacia Distrital de João Pessoa ouviu guardas municipais, funcionários do parque, familiares e a conselheira tutelar que acompanhava o jovem.
O livro ainda não tem título definido. Entre as obras anteriores de Phelipe Caldas está “O Menino que Queria Jogar Futebol”, que deu origem ao filme Inexplicável.
Com informações de G1




