O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (5/10) que as revelações em torno do caso Banco Master deixaram uma situação grave de “promiscuidade” no Supremo Tribunal Federal (STF), que o país estaria carregando. A declaração foi feita na primeira reunião da coordenação da campanha após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) obteve vantagem sobre o petista na disputa pelo Planalto.
Lula disse que a desconfiança da sociedade em relação à Suprema Corte é um problema sério e defendeu a realização de uma nova reforma do Judiciário, tema que, segundo ele, deverá constar na agenda da campanha do segundo turno.
Contexto do desgaste ligado ao caso Master
As críticas do presidente surgem em meio a denúncias recentes que atingem o Banco Master e envolvem ministros do STF. O nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser associado a questionamentos sobre encontros e condutas que teriam envolvido magistrados como Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.
Em setembro, a situação ganhou força. No dia 1º, André Mendonça tornou público um documento da Polícia Federal até então sigiloso, que registrava encontros entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. No dia seguinte, integrantes do núcleo central da campanha admitiram que vincular Lula a Moraes poderia prejudicar o presidente.
No dia 2 de setembro, Mendonça reconheceu que, em março de 2025, manteve uma conversa de cerca de duas horas com Vorcaro, antes de assumir a relatoria do processo. Em 9 de setembro, o ex-ministro Flávio Dino citou esse encontro ao proferir uma decisão, apontando que o episódio agravaria qualquer hipótese de interferência de Mendonça em atribuições de outros membros da corte.
A controvérsia também passou a ser usada na campanha de Flávio Bolsonaro. Em passagem pelo Nordeste em 17 de setembro, o candidato do PL procurou associar Lula ao impasse no STF e ao ministro Moraes, estratégia voltada a reduzir a vantagem do petista na região. A ofensiva ocorreu 48 horas após o STF ter realizado uma sessão extraordinária para avaliar o teor das mensagens atribuídas a Vorcaro.
Plano de campanha para os 20 dias até a votação
Na reunião de coordenação, Lula detalhou a estratégia para os 20 dias que faltam até o segundo turno. Ele afirmou que a campanha será intensificada e que trabalhará mais e dormirá menos nesse período. No primeiro turno, o presidente obteve 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47,03%, diferença que equivaleu a pouco mais de 2,3 milhões de votos.
Lula pediu aos aliados derrotados que não culpem o eleitorado pelo resultado e ressaltou que parte do público pode não ter compreendido a mensagem de determinados candidatos, pedindo humildade na avaliação do desempenho.
O presidente também defendeu debates televisivos na segunda etapa da disputa, por entender que o embate direto permitirá ao eleitor comparar as propostas em confrontos “um a um”. A campanha confirmou intenção de levar Lula ao maior número possível de debates, conforme declarou Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador da campanha.
O primeiro debate entre os dois candidatos está marcado para domingo (11/10), às 20h, e será promovido pela Band em parceria com outros veículos; caso ambos compareçam será o primeiro encontro direto na TV entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta eleição, já que não participaram juntos de nenhum debate televisivo no 1º turno.
Ao encerrar o encontro com a coordenação, o presidente exibiu confiança na virada eleitoral, lembrando sua trajetória em eleições presidenciais e afirmando expectativa de vitória na etapa final da campanha.
Com informações de Polemicaparaiba




