O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a base do Partido dos Trabalhadores (PT) a superar disputas internas e formar alianças estratégicas para as eleições de outubro, ao participar da comemoração dos 46 anos da legenda, no sábado (7), em Salvador.

Em tom de cobrança, Lula ressaltou a necessidade de acordos políticos para viabilizar vitórias eleitorais e garantir a governabilidade. “Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados”, afirmou.

Na abertura do discurso, o presidente relembrou a fundação do PT nos anos 1980 e defendeu as bandeiras históricas da sigla, criticando o papel do capital na política. “A política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como está o mercado eleitoral nesse país. Quanto custa um cabo eleitoral, um vereador, cada candidatura. É uma vergonha”, disse, apontando o custo elevado das campanhas.

Lula lamentou o volume de recursos envolvidos nas disputas e comparou o período atual com os anos em que o partido vendia camisetas para financiar comícios. “Agora é dinheiro rolando para tudo quanto é lado”, declarou, ao reforçar que o PT não deve se equiparar à direita na lógica de influência financeira.

O presidente também cobrou uma autocrítica interna sobre o apoio às emendas impositivas aprovadas pelo Congresso Nacional, que, em sua avaliação, configuram um “sequestro” das verbas do Executivo. Ele enfatizou que o partido precisa resistir à “vala comum da política” do país.

Para Lula, o fortalecimento do PT passa por ampliar o diálogo com periferias e com o eleitorado evangélico, lembrando que muitos beneficiários de programas sociais federais integram esse grupo. Apesar das críticas, o presidente encerrou o discurso em tom otimista: “O PT só perde uma eleição presidencial para si mesmo.”

O evento em Salvador marcou o pontapé inicial da mobilização eleitoral petista, com foco na defesa do legado dos governos Lula e Dilma, no combate a privilégios e em pautas sociais, como o fim da jornada de trabalho 6×1 e a tarifa zero. A estratégia inclui um discurso ideológico para enfrentar o bolsonarismo.

A escolha da Bahia como palco das celebrações reforça a importância do estado, onde Lula obteve uma vantagem de cerca de quatro milhões de votos sobre Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.

Mais cedo, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, destacou que a construção de um amplo arco de alianças será decisiva para a reeleição de Lula e para a ampliação das bancadas no Congresso. Ele defendeu senadores comprometidos com a democracia, a eleição de ao menos um deputado federal petista em cada unidade da Federação e o retorno de iniciativas históricas como o orçamento participativo.

Na sexta-feira (6), Lula chegou à Bahia e participou da entrega de ambulâncias, unidades odontológicas móveis e equipamentos para Unidades Básicas de Saúde. Ainda visitou o Santuário de Santa Dulce dos Pobres, na capital baiana, e, neste sábado, participa de almoço na casa do cantor Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura.

Com informações de Polemicaparaiba