Uma pesquisa divulgada em 10 de fevereiro de 2026 pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), sob coordenação do Conselho Federal de Medicina (CFM), revela que mais de 80% dos profissionais que atuam no estado já foram alvo de violência verbal durante o exercício da profissão.
O levantamento do CRM-PB foi realizado ao longo de 2025 e ouviu 611 médicos de diversas especialidades. Segundo os dados, cerca de 10% dos respondentes afirmaram ter sofrido agressões físicas em ambiente de trabalho, enquanto mais de 60% relataram ter sido vítimas de violência moral. A pesquisa também aponta que 5,2% dos profissionais vivenciaram violência sexual.
Insegurança em UPAs de João Pessoa
Paralelamente, o Simed-PB avaliou o cenário de insegurança nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa. O estudo indica que 90% dos médicos pediatras que atuam nessas unidades se sentem inseguros durante o atendimento.
De acordo com o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, as mulheres médicas são as principais vítimas, sobretudo em serviços de urgência e nas unidades básicas de saúde. “A maior parte das violências acontece contra médicas mulheres, principalmente em ambientes de urgência, nas UPAs e nas unidades básicas”, afirmou.
Dados nacionais sobre agressões a profissionais de saúde
Em âmbito nacional, mais de 4,5 mil boletins de ocorrência foram registrados nas delegacias de Polícia Civil, tanto nos estados quanto no Distrito Federal, por casos de ameaça, injúria, desacato e lesão corporal em unidades de saúde. A média corresponde a 12 agressões diárias contra profissionais de saúde.
Na programação em João Pessoa, está previsto um evento para debater soluções e medidas de segurança em unidades de saúde. Uma das propostas em pauta é a adoção do “botão do pânico” para acionamento rápido de suporte em situações de risco.
Segundo Bruno Leandro, a iniciativa não se restringe aos médicos: “Não é só dos médicos que estamos falando. É do maqueiro, recepcionista, nutricionista, enfermeiro, técnico de enfermagem… Toda a cadeia que faz as pessoas se recuperarem, inclusive o médico.”
O debate reunirá autoridades, representantes das categorias da saúde e especialistas em segurança para propor ações que reduzam os índices de violência nos locais de atendimento.
As discussões devem considerar o panorama nacional e as singularidades da Paraíba, visando a elaboração de protocolos que garantam proteção aos profissionais e tranquilidade aos pacientes.
Com informações de G1



