A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, avalia a possibilidade de deixar a Rede Sustentabilidade e lançar candidatura ao Senado Federal por São Paulo nas eleições de 2026. A movimentação ganha força diante da incerteza sobre a entrada do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na disputa, e reflete divergências internas que cresceram na legenda nos últimos meses.

Aliados de Marina afirmam que ela não pretende buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados, cargo ao qual foi eleita em 2022, e já sinalizou que sua decisão de concorrer ao Senado não depende apenas de Haddad. Entre os critérios para a candidatura está a permanência ou não na Rede, partido que ajudou a fundar.

Com o quadro interno conturbado, partidos do campo progressista intensificaram conversas para atrair a ministra. O Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual Marina ficou filiada durante cerca de 25 anos, estuda seu retorno. Paralelamente, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) mantém diálogo com aliados da ministra sobre eventual filiação.

Trajetória política

Originária do Acre, Marina Silva iniciou sua vida pública ao lado de Chico Mendes, fundando a seção local do PT. Foi vereadora de Rio Branco em 1989, deputada estadual de 1991 a 1995 e senadora de 1995 a 2011. Entre 2003 e 2008, comandou o Ministério do Meio Ambiente nos primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva, deixando o cargo após discordar da construção da usina de Belo Monte.

Em 2010, disputou a Presidência da República pelo Partido Verde e ficou em terceiro lugar. Após a eleição, criou a Rede Sustentabilidade. Nas eleições de 2022, elegeu-se deputada federal por São Paulo, mas licenciou-se para reassumir a pasta ambiental no atual governo.

Crise interna na Rede

No final de 2025, o grupo Rede Vive, alinhado a Marina, divulgou nota criticando mudanças estatutárias aprovadas no congresso da legenda. Segundo o documento, as alterações centralizaram decisões na direção nacional, diminuíram a autonomia estadual e municipal e geraram processo de expulsão contra sete dirigentes, além de bloquear novos registros de filiados.

A nota também contesta regra que prioriza candidatos com ao menos dois anos de mandato contínuo, o que excluiria Marina devido à licença para chefiar o Ministério do Meio Ambiente. Até o momento, 491 membros assinaram o manifesto, entre deputados federais, estaduais e vereadores filiados à Rede.

A definição sobre o novo partido e a candidatura de Marina Silva deve ser anunciada nos próximos meses, conforme interlocutores próximos à ministra.

Com informações de Polemicaparaiba