Profissionais relatam falhas em laudos que podem comprometer diagnóstico e tratamento

Médicos do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Grande João Pessoa, denunciara falhas recorrentes em laudos de exames de imagem que, segundo eles, têm prejudicado o diagnóstico de pacientes e podem representar risco à vida. As queixas foram apresentadas à TV Cabo Branco por profissionais que preferiram não se identificar.

De acordo com os relatos, os problemas começaram em outubro do ano passado, quando houve mudança na equipe responsável pela elaboração dos laudos. Antes, radiologistas vinculados ao próprio hospital faziam as análises; depois da alteração, uma empresa contratada em São Paulo passou a emitir os pareceres. O hospital é referência estadual em cardiologia e neurologia e realiza diversos exames diariamente.

Um dos médicos citou um caso em que a imagem mostrava um aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões, mas o laudo deixou de apontar o diagnóstico. “É uma emergência médica que pode ter consequências catastróficas para o paciente, pode causar morte desse paciente em pouco tempo”, afirmou o profissional.

Outro médico relatou que os radiologistas do Metropolitano perderam poder de intervenção sobre os laudos desde a troca do contrato, e que a direção da unidade teria sido responsável pela substituição dos radiologistas locais por uma empresa de São Paulo.

A TV Cabo Branco teve acesso a uma carta interna assinada por parte dos médicos do hospital em que os profissionais alertam para a recorrência de laudos com linguagem excessivamente sucinta, ausência de descrição técnica detalhada dos achados tomográficos e conclusões genéricas.

O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) informou que foi acionado pelos profissionais e classificou a situação como “preocupante”. “É preocupante, visto que essa denúncia parte de dentro do próprio hospital. Os colegas que estão recebendo esses laudos, eles até questionam. Não existe uma confiabilidade e isso aí gera uma possibilidade de condutas erradas dentro do tratamento do paciente”, disse Tarcísio Campos, presidente do sindicato.

Fontes ouvidas também afirmaram que a empresa contratada fornece laudos tanto para pacientes internados quanto para externos, e que pessoas vindas de outras cidades podem ter seus exames aceitos por médicos em locais sem estrutura semelhante, o que ampliaria os riscos de decisões clínicas equivocadas.

Além das queixas sobre os laudos, os médicos relataram falta de recursos no setor de imagem, escassez de medicamentos e carência de profissionais em setores como enfermaria e fisioterapia.

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) informou que uma equipe de fiscalização esteve no hospital na quinta-feira (26) e que um relatório será divulgado nesta sexta-feira (27).

Posicionamento da administração

A direção do Hospital Metropolitano, administrado pela PBSaúde — fundação pública vinculada ao Governo da Paraíba —, afirmou que mantém uma central de emissão de laudos composta por quatro empresas credenciadas, responsáveis por análises de ressonância magnética e tomografia computadorizada em 11 equipamentos distribuídos pelas três macrorregiões do estado, além de ultrassonografias. Segundo a fundação, o modelo busca agilizar a liberação dos resultados e oferecer atendimento contínuo com suporte especializado.

A PBSaúde ressaltou que divergências interpretativas podem ocorrer em exames de alta complexidade e que a elaboração do laudo é ato médico técnico de responsabilidade do profissional signatário. A administração afirmou ainda que a conduta clínica é definida pela equipe assistencial com base na avaliação completa do paciente, incluindo exame físico e histórico, e que o laudo é apenas um componente do processo diagnóstico. A fundação informou que realiza fiscalização e monitoramento das empresas contratadas, que não há desabastecimento contínuo que comprometa o atendimento e que os processos de contratação seguem a legislação vigente, reforçando o compromisso com a população e a gestão dos recursos públicos.

Com informações de G1