O mercado brasileiro de mentorias apresenta hoje forte demanda por conhecimento aplicado e por aceleração de resultados, ao mesmo tempo em que enfrenta ausência de padrões claros para distinguir experiência comprovada de posicionamento digital. Nos últimos anos, a expansão foi impulsionada pela transformação digital, pela ascensão da creator economy e pela maior valorização do conhecimento como ativo econômico.

Com a disseminação de plataformas digitais, muitos profissionais converteram experiência em produto, tornando o segmento mais dinâmico e acessível. Esse movimento ampliou o acesso à educação executiva e aproximou empresários de especialistas, mas também acelerou o crescimento antes que surgissem estruturas de governança e critérios de validação.

Atualmente, o setor ainda é pouco institucionalizado: faltam mecanismos objetivos de avaliação, padrões mínimos de qualidade e sistemas de governança sólidos. Como resultado, predominam subjetividade e assimetrias de percepção, o que pode corroer a credibilidade do mercado. A escolha de um mentor frequentemente se dá pela presença nas redes sociais ou pela autoridade percebida, em vez de por indicadores de performance empresarial ou capacidade comprovada de gerar resultados.

Especialistas apontam que mercados que crescem rapidamente tendem a passar por um ponto de inflexão em que inovação precisa ser acompanhada por estrutura. Elementos como governança, certificação, compliance e mecanismos de reputação deixam de ser diferenciais e passam a ser essenciais para a sustentabilidade do ecossistema.

Com base nessa percepção, foi criada a Mentor Capital Group (MCG), uma holding concebida para atuar como ecossistema estratégico na profissionalização da mentoria empresarial no Brasil. A proposta da MCG vai além de fomentar redes de relacionamento: busca implantar governança, inteligência coletiva, critérios objetivos e práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável do setor.

Um dos pilares da iniciativa é o Mentor Capital Standard (MCS), sistema de certificação que avalia mentores segundo fatores como performance empresarial, capacidade estratégica, ética, escalabilidade e impacto comprovado. A holding também desenvolveu uma metodologia de desenvolvimento empresarial estruturada em quatro dimensões: Elevation, Engine, Execution e Expansion, com o objetivo de transformar experiência em processos mais previsíveis.

Os idealizadores reconhecem que nenhuma ação isolada resolverá todos os desafios do setor, mas defendem que o surgimento de estruturas de organização e padronização marca o início do amadurecimento do mercado de mentorias. Para o segmento, o próximo ciclo de desenvolvimento deverá ter como base consistência, reputação, governança e capacidade real de gerar transformação sustentável.

Janguiê Diniz é diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, e presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Com informações de Jornaldaparaiba