A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (16.fev.2026) que o desfile da Acadêmicos de Niterói, que teve como tema o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), configurou um “escárnio” contra a fé cristã. Em publicação no Instagram, ela criticou especificamente uma ala da escola chamada “Neoconservadores em Conserva”.

Segundo Michelle, nessa ala os integrantes usaram fantasias representando latas com o rótulo “Família em Conserva”, reunindo referências a evangélicos, um fazendeiro, uma mulher rica e defensores da ditadura. A ex-primeira-dama pediu que a Frente Parlamentar Evangélica se manifeste para repudiar o desfile, afirmando que a apresentação teria ferido “milhões de brasileiros” e exposto a fé cristã ao ridículo em nome de uma cultura transformada em politicagem.

Michelle disse ainda que a escola promoveu uma “zombaria e humilhação” contra evangélicos. Sua manifestação foi publicada na rede social após a passagem da Acadêmicos de Niterói pelo sambódromo do Rio de Janeiro.

A escola iniciou a apresentação às 22h13 (Brasília UTC-3) do domingo, 15 de fevereiro, e desfilou por 79 minutos, dentro do tempo máximo permitido de 80 minutos. O presidente Lula assistiu ao desfile no sambódromo, acompanhado de aliados no camarote da Prefeitura do Rio, com o prefeito Eduardo Paes (PSD).

Lula na Sapucaí

A Acadêmicos de Niterói abriu sua participação no Grupo Especial com o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O mulungu, árvore nativa encontrada sobretudo na Caatinga e na Mata Atlântica, tem nome científico Erythrina velutina, pode atingir até 15 metros de altura e produz flores vermelhas entre agosto e janeiro. O termo tem origem no tupi “mussungú” ou “muzungú”, com possíveis influências etimológicas africanas ligadas ao significado de “pandeiro”.

Fundada em 2018, a escola participou de apenas três carnavais antes de vencer a Série Ouro em 2025, o que a elevou ao grupo de elite do carnaval carioca. Na nova fase, a Acadêmicos de Niterói compete com agremiações tradicionais como Mangueira, Portela e Salgueiro.

A iniciativa provocou reações da oposição. O partido Novo entrou com representação no TCU para tentar impedir que a escola recebesse repasse de R$ 1 milhão da Embratur; a área técnica da Corte de Contas recomendou barrar os recursos, mas o relator Aroldo Cedraz negou o pedido de suspensão. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) moveram ações contra o presidente por causa do enredo, que foram rejeitadas pela Justiça Federal. Além disso, o Novo e Kim Kataguiri solicitaram liminar para proibir o desfile, pedido que foi negado pelo TSE, seguindo o voto da relatora Estella Aranha, indicada por Lula ao cargo.

A apresentação da Acadêmicos de Niterói no domingo seguiu o tempo regulamentar e gerou debates políticos e jurídicos após a exibição do enredo.

Com informações de Polemicaparaiba