O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, criticou nesta segunda-feira (31), em agenda na Paraíba, a política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em discurso direcionado a produtores de cana-de-açúcar do Nordeste, o ministro qualificou as medidas como “muito injustas” em relação ao Brasil e afirmou que a própria dinâmica do mercado norte-americano pode obrigar mudanças de postura.
André de Paula explicou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos têm impacto sobre produtos brasileiros e também foram aplicadas a outros parceiros comerciais, incluindo países europeus. Para o ministro, porém, a relação comercial entre Brasil e EUA torna as restrições especialmente questionáveis.
Como exemplo concreto, o ministro citou o mercado de carne. Segundo ele, os Estados Unidos dependem do Brasil para atender a grandes volumes com qualidade e dentro dos prazos exigidos. “Ele não está fazendo isso porque é bonzinho com o Brasil, não. Ele está fazendo isso porque só há um país que tem a possibilidade de, em 90 dias, fornecer com qualidade e com celeridade essa carne que ele precisa”, declarou André de Paula ao público presente.
Durante o discurso, o ministro também mencionou o alto consumo de hambúrgueres pela população norte-americana e relacionou a pressão sobre os preços e a inflação à necessidade de revisar medidas tarifárias. “Nada como a lei do mercado”, resumiu.
Ao comentar a atuação do governo dos EUA, André de Paula lembrou uma expressão que, segundo ele, ouvia do ex-governador de Pernambuco Joaquim Francisco no início de sua trajetória política: “O tempo se encarrega de corrigir as coisas”. A partir dessa lembrança, afirmou que mesmo administrações rígidas podem ser forçadas a flexibilizar políticas quando os efeitos chegam ao consumidor.
As observações do ministro ocorreram em um evento voltado a produtores canavieiros do Nordeste, no qual ele apresentou ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dirigidas ao setor. André de Paula destacou depoimentos de beneficiários e disse que as medidas federais representam uma resposta às dificuldades enfrentadas pelos plantadores de cana na região.
As declarações foram proferidas em meio a debates sobre os efeitos das decisões comerciais dos EUA sobre segmentos do agronegócio brasileiro e da produção nordestina.
Com informações de Polemicaparaiba



