Moradores e comerciantes de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, relataram pânico e prejuízos após enchentes provocadas pelo transbordamento de um canal em obras na Rua Dr. Victor Jurema, no Centro da cidade, próximo à Câmara de Vereadores. A situação ocorreu após as chuvas que atingiram a região e atingiu residências e estabelecimentos comerciais.

Segundo relatos coletados pela reportagem, a principal causa apontada pelos moradores é a obstrução do canal, que estaria em manutenção pela prefeitura. Proprietários de pontos comerciais relataram perda de mercadorias e danos a equipamentos e estruturas. O dono de uma sucata, identificado como Gilberlândio Felix, afirmou que a água invadiu seu estabelecimento e atribuiu os estragos à falta de desobstrução completa do canal, afirmando que apenas uma intervenção superficial com retroescavadeira foi realizada até o meio-dia de ontem e que a máquina foi retirada em seguida.

O dono de um restaurante, Júnior Alexandre, detalhou prejuízos materiais: quase dois palmos de água no interior do estabelecimento, freezers danificados, mercadoria perdida, cadeiras e portas de madeira comprometidas. Ele disse ter verificado o curso do canal e encontrado sacos de lixo e lajes danificadas, e teme nova enchente caso chova novamente.

Além do impacto econômico, moradores relataram efeitos psicológicos. A comerciante Patrícia Leite declarou que, além das perdas materiais, a população perdeu a tranquilidade: com qualquer chuva, cresce a ansiedade e o sono é prejudicado. Ela reconheceu ser uma gestão recente na prefeitura, mas pediu medidas corretivas urgentes.

A dona de casa Fátima Cartaxo contou ter passado por crises de pânico durante as tempestades, precisou deixar a residência e está temporariamente abrigada em uma casa em reforma, sem condições plenas de moradia, por considerar inseguro voltar enquanto houver risco de inundação. Outro morador, Juliana Cartaxo, informou que os próprios vizinhos precisaram abrir o portão da Escola Nossa Senhora de Lourdes para facilitar o escoamento das águas e relatou dificuldade de comunicação com a administração municipal, afirmando que a ajuda entre moradores foi o principal suporte imediato.

Também foram levantadas preocupações relacionadas à saúde pública e proteção animal: moradores pediram a atuação do Centro de Controle de Zoonoses para resgatar uma cadela prestes a parir que estaria dentro do canal.

Resposta do secretário de Infraestrutura

O secretário municipal de Infraestrutura, Arquimedes Gomes, disse ao Diário do Sertão que os serviços de limpeza e desobstrução do canal estão em andamento desde segunda-feira e não foram interrompidos. Segundo ele, a equipe enfrentou dificuldade inicial para localizar o proprietário do terreno e, enquanto o acesso não estava liberado, a retroescavadeira foi acionada para outros pontos da cidade. Arquimedes afirmou que, assim que o proprietário autorizou a entrada, a máquina retornou para a Rua Dr. Victor Jurema e os trabalhos continuaram.

O secretário explicou também que trechos inacessíveis à retroescavadeira são limpos manualmente, o que aumenta o tempo de execução, e defendeu que a retirada de entulhos e lixo é um processo que demanda cuidado e não pode ser concluído tão rapidamente quanto a população espera.





As equipes da prefeitura, segundo a secretaria, seguem realizando a limpeza do canal diariamente.

Com informações de Diariodosertao