O roteirista e dramaturgo Manoel Carlos Gonçalves de Oliveira, conhecido como Manoel Carlos, faleceu aos 92 anos no sábado, 10 de janeiro de 2026. Paulistano de nascimento, nascido em 1933, ele se mudou para o Rio de Janeiro ainda jovem e fez da cidade sua inspiração principal ao longo de toda a carreira.

Ao longo de quase cinco décadas na Rede Globo, Manoel Carlos assinou novelas que se tornaram clássicos do horário nobre, muitas delas ambientadas no bairro do Leblon. Em seis produções, ele utilizou composições de Antônio Carlos Jobim como tema de abertura:

  • Por Amor (1997/1998): “Falando de Amor”, na versão do Quarteto em Cy com o MPB4.
  • Laços de Família (2000/2001): “Corcovado”, com João Gilberto, Astrud Gilberto e Stan Getz.
  • Mulheres Apaixonadas (2003): “Pela Luz dos Olhos Teus”, na interpretação de Tom Jobim e Miúcha.
  • Páginas da Vida (2006/2007): “Wave”, em versão instrumental com o próprio Tom Jobim.
  • Viver a Vida (2009/2010): “Sei Lá, a Vida Tem Sempre Razão”, de Toquinho e Vinícius, na versão de Tom Jobim, Miúcha e Chico Buarque.
  • Em Família (2014): “Eu Sei que Vou te Amar”, na voz de Ana Carolina.

Manoel Carlos popularizou a figura das “Helenas” em suas histórias, dando esse nome à protagonista em diversas fases de sua carreira. De Lilian Lemmertz em Baila Comigo (1981) a Júlia Lemmertz em Em Família (2014), passando por três interpretações de Regina Duarte, suas Helenas se tornaram marca registrada.

Em 2024 e 2025, parte dessas tramas voltou ao ar no Globoplay, incluindo Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida e Viver a Vida. Também foram reexibidas as minisséries Presença de Anita (2001) e Maysa, Quando Fala o Coração (2009).

Banido da televisão em 2017 após denúncia de assédio sexual, o ator José Mayer foi presença constante em produções de Manoel Carlos, sempre no papel de protagonista que, embora marcado pelo estereótipo do “macho”, não corria o risco de ser o vilão.

Reconhecido pela sensibilidade para construir diálogos e personagens femininas complexas, Manoel Carlos incorporou em suas obras referências a livros, filmes e canções, elevando a teledramaturgia brasileira. Ele também abordou questões sociais e temas polêmicos, contribuindo para debates públicos por meio de suas novelas.

O chamado “Leblon de Manoel Carlos” funcionou como um universo ficcional onde habitantes de diferentes classes sociais se cruzavam em situações cotidianas, ganhando dimensão universal. Sua obra se alinha à de grandes nomes como Dias Gomes, Janete Clair e Gilberto Braga.

A morte de Manoel Carlos marca o fim de uma era de ouro na teledramaturgia brasileira, deixando um legado que segue vivo na memória afetiva do público.

Com informações de Jornaldaparaiba