Amanda Karoline, condenada por encomendar a morte do marido em 2016 no Rio Grande do Norte, relatou a trajetória de violência doméstica, o crime e a experiência no sistema prisional em uma autobiografia escrita enquanto cumpria pena.
O livro, intitulado De Tambaba à prisão – uma trama real de violências e abusos no paraíso do nudismo brasileiro, reconstrói a vida da autora desde a infância, passando por um casamento imposto na adolescência, anos de agressões e o episódio que culminou na contratação de um pistoleiro em agosto de 2016. O marido foi morto a tiros e Amanda foi presa três meses depois. Em 2018, foi julgada pelo Tribunal do Júri e sentenciada a 19 anos de prisão.
Quem e como começou a relação
Amanda nasceu em 1992, em Natal (RN). Conheceu Rômulo Barbosa aos 12 anos — ele era primo do pai dela — e o relacionamento evoluiu durante a adolescência. Aos 15 anos, quando a família descobriu que os dois haviam tido relação sexual, o casal foi obrigado a se casar. Amanda afirma ter vivido cerca de dez anos sob um padrão de violência que incluiu agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais e sexuais.
Tambaba como cenário
A praia de Tambaba, no litoral sul da Paraíba e conhecida pelo naturismo, é citada no relato como o local onde os abusos sexuais começaram. Segundo a autora, episódios iniciais ocorreram na praia e depois se repetiram em casas de swing e pousadas próximas. Ela descreve ter sido forçada a manter relações com outras pessoas diante do companheiro e, ao recusar repetidas ocasiões, passou a receber ameaças contra sua família, o que a fez sentir-se sem saída.
Do crime à escrita
De acordo com Amanda, a ideia do crime surgiu após uma colega de academia perceber marcas de violência em seu corpo e sugerir a contratação de alguém para matar o companheiro. Em agosto de 2016 ela contratou o autor dos tiros. Presa três meses após o homicídio, foi condenada em 2018. A autora afirma reconhecer o crime e separar o julgamento público de seus sentimentos pessoais; diz que seu arrependimento é íntimo.
Durante a permanência no sistema prisional, uma agente penal incentivou Amanda a escrever. Revisitar episódios de violência foi difícil, mas a autora afirma que o desfecho do trabalho lhe trouxe algum alívio. O livro foi concluído na cadeia e já alcançou mais de 5 mil cópias vendidas.
Ao deixar o regime fechado em 2022, Amanda passou para o regime aberto. Relata dificuldades para retornar ao mercado de trabalho — atribuídas ao uso de tornozeleira eletrônica e ao preconceito — e, por isso, passou a comercializar o livro pessoalmente, inclusive em praias do Rio Grande do Norte. Hoje cumpre pena em regime aberto, está casada, prepara um segundo livro e escreve um terceiro. Também ocupa uma cadeira na Academia Brasileira do Cárcere, que ela considera símbolo ligado à figura de Esperança Garcia.
Com informações de Jornaldaparaiba



