Advogado deixa liderança de seu escritório após ação da Polícia Federal
O advogado Nelson Wilians comunicou o afastamento temporário e sem prazo definido da direção de seu escritório após ter sido alvo da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 13 de agosto de 2026. A informação foi divulgada por meio de um comunicado do próprio profissional na sexta-feira (14).
A ação da PF cumpriu, ao todo, 17 mandados de busca e apreensão em cinco unidades da Federação — Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná — e incluiu pedidos de quebra de sigilos bancário e telemático, além do sequestro de bens de até R$ 1,1 bilhão. A investigação mira um grupo empresarial do Nordeste suspeito de utilizar estruturas no exterior para ocultar receitas relacionadas à exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
Segundo os investigadores, Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de participar da ocultação de bens supostamente provenientes de atividades ilícitas. Em resposta, a defesa do advogado afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet se restringe a serviços advocatícios prestados de forma regular e que a atuação profissional não se confunde com as atividades empresariais dos clientes.
Com a saída temporária de Wilians, a administração da NWADV passou a ser conduzida por um Comitê Executivo, que ficará responsável pela continuidade das operações, governança institucional e pelo relacionamento com clientes, colaboradores e demais públicos. No comunicado, foi informado que o advogado optou por se dedicar à família e acompanhar as apurações, permanecendo à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A Operação Arena tem como principal alvo a PixBet, empresa sediada na Paraíba. A PF identificou supostas transações entre a PixBet e a PixStar, empresa com sede em Curaçao, que seria usada para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos. As apurações indicaram a emissão de notas fiscais pelo escritório de Wilians à PixStar, sem detalhar os serviços, num total de 15 notas que somam R$ 37.824.000.
De acordo com a Polícia Federal, esses documentos teriam servido para justificar a entrada de milhões de reais no país como pagamentos por serviços advocatícios, enquanto os valores estariam ligados às atividades de apostas investigadas. Os investigados poderão responder por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e infrações contra o sistema financeiro, conforme as responsabilidades apuradas.
Wilians é proprietário de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do país e possui 1,4 milhão de seguidores em rede social. Em setembro do ano anterior, ele também foi alvo de investigação da Polícia Federal por suposta participação em esquema de fraudes e desvios do INSS.
O G1 informou que tenta contato com as defesas dos demais envolvidos.
Com informações de G1

