Pesquisadores do Laboratório de Termitologia (LabTermes) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) descreveram uma nova espécie de cupim nativa da Caatinga. Batizado de Triclavitermes catoleensis, o inseto homenageia o município de Catolé do Rocha (PB), onde foi coletado o exemplar que serviu de base para a descrição.
Quem participou
O estudo foi coordenado pelo professor Alexandre Vasconcellos e contou com a colaboração de Renan Rodrigues Ferreira, Antônio Carvalho, Emanuelly Félix de Lucena e Rozzanna Esther Cavalcanti Reis de Figueiredo. O trabalho recebeu financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Coleta e identificação
O material analisado está depositado na Coleção de Térmitas da UFPB, construída ao longo de mais de três décadas. As expedições de campo abrangeram 15 municípios dos estados da Paraíba, Pernambuco, Piauí, Ceará e Bahia. Em Catolé do Rocha, as coletas ocorreram no Monte Tabor, fragmento de mata situado dentro da área urbana.
Os cupins foram recolhidos manualmente em solo, troncos caídos, galhos, folhas secas e cupinzeiros, e preservados em etanol 85 %. Posteriormente, passaram por análises morfológicas em microscópio, com atenção especial para cabeça, pernas e intestino. As características exclusivas confirmaram a descoberta de um novo gênero e espécie.
Importância ecológica
Diferente das espécies que causam danos em áreas urbanas, o Triclavitermes catoleensis vive em ambientes silvestres e se alimenta de detritos vegetais em decomposição, sobretudo húmus, contribuindo para a ciclagem de nutrientes e a fertilidade do solo na Caatinga.
Imagem: Luis Fernando Mifô
Curiosidades
O gênero recebeu o nome Triclavitermes porque a ornamentação da válvula entérica — estrutura intestinal usada para identificação — lembra clavas medievais. A primeira amostra do grupo foi obtida em 2000, no distrito de São José da Mata, em Campina Grande, e só após 25 anos foi utilizada para a descrição formal, destacando o valor das coleções científicas para a preservação e o estudo da biodiversidade.
Segundo Alexandre Vasconcellos, o registro da nova espécie preenche lacunas sobre a diversidade de cupins no Semiárido nordestino e reforça a necessidade de conservar os ecossistemas da Caatinga.
Com informações de Diário do Sertão


