O Brasil encerrou o trimestre terminado em novembro com 39,4 milhões de empregados formais no setor privado, avanço de 2,6% — o equivalente a um milhão de pessoas a mais — na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, o resultado desconsidera trabalhadores domésticos e representa o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. No setor público, o total de ocupados chegou a 13,1 milhões, crescimento de 1,9% (mais 250 mil pessoas) no trimestre e de 3,8% (mais 484 mil) em 12 meses, também estabelecendo novo recorde.

Estabilidade no trabalho sem carteira

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado permaneceu praticamente estável no período, somando 13,6 milhões. Em relação ao mesmo trimestre de 2024, houve queda de 3,4%, o que corresponde a 486 mil postos informais a menos.

Crescimento dos trabalhadores por conta própria

O contingente de trabalhadores por conta própria atingiu 26 milhões, maior patamar desde o início da série. Embora não tenha variado significativamente ante o trimestre anterior, o grupo cresceu 2,9% em um ano, com acréscimo de 734 mil pessoas.

Menor participação da informalidade

A expansão dos empregos formais reduziu a proporção de trabalhadores informais para 37,7% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de pessoas. No trimestre encerrado em agosto, o índice estava em 38,0%, e há um ano alcançava 38,8%.

A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, destacou que o recuo da informalidade ocorreu apesar do crescimento total da ocupação. Ela observou que parte expressiva dos 601 mil novos trabalhadores no trimestre foi absorvida por atividades ligadas à administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, segmento que adicionou 492 mil ocupados (alta de 2,6%).

Desemprego em baixa histórica

A taxa de desocupação ficou em 5,2% da força de trabalho, equivalente a 5,6 milhões de pessoas procurando emprego. O resultado mantém o nível mais baixo da série iniciada em 2012, tendência observada desde o trimestre terminado em junho de 2025.

Rendimentos em alta

O rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.574, avanço de 1,8% frente ao trimestre anterior e de 4,5% na comparação anual, já descontada a inflação. O aumento de 5,4% na remuneração dos trabalhadores das áreas de Informação, Comunicação, Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas foi o principal responsável pela expansão.

Na comparação anual, cinco grupos mostraram ganhos salariais: Agricultura e Pecuária (7,3%), Construção (6,7%), Informação e Comunicação (6,3%), Administração Pública (4,2%) e Serviços Domésticos (5,5%). Com mais pessoas ocupadas e salários maiores, a massa de rendimento real habitual subiu para R$ 363,7 bilhões, crescimento de 2,5% no trimestre e de 5,8% em 12 meses.

Metodologia da Pnad Contínua

A Pnad Contínua é a principal pesquisa do IBGE sobre a força de trabalho. O estudo visita 211 mil domicílios em 3.500 municípios a cada trimestre, mobilizando cerca de dois mil entrevistadores vinculados a mais de 500 agências da instituição no país.

Com informações de Agência Brasil