A Polícia Civil da Paraíba cumpriu oito mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (30) como parte da Operação Falso Score, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. Sete mandados foram executados em bairros de João Pessoa — Manaíra, Cabo Branco e Tambaú — e um em Cabedelo, na Região Metropolitana. As autoridades não divulgaram os nomes dos alvos da ação.
Segundo a polícia, durante as diligências foram apreendidos três carros, joias, quantia em dinheiro, celulares e notebooks. A operação investiga empresas, associações e escritórios de advocacia suspeitos de integrar uma chamada “indústria do limpa nome”, que utilizaria decisões judiciais para fazer com que pessoas e empresas com dívidas deixassem temporariamente de constar como negativadas.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava com a inclusão de consumidores negativados em ações coletivas. Por meio de liminares, as dívidas deixavam de aparecer nas consultas aos cadastros de proteção ao crédito, mas as decisões eram provisórias e, quando as liminares eram revogadas, os registros negativos retornavam. A polícia estima que o prejuízo relacionado ao esquema alcance R$ 130 bilhões em todo o país.
Na Paraíba, a investigação aponta a Grupo Amigos do Consumidor (GAC) como uma das entidades envolvidas. Segundo os investigadores, o GAC teria atuado no estado responsabilizando-se pelo ajuizamento das ações e mantendo um núcleo financeiro. A apuração também relaciona a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor ao grupo, indicando que teria sido o nome anterior da mesma diretoria.
Além das ações na Paraíba, a operação cumpriu três mandados de busca e apreensão em São Paulo, apontada como local de captação de clientes para o esquema, segundo a polícia.
Juízes citados na apuração
Reportagem do Fantástico, da TV Globo, informou que decisões judiciais concedidas na Paraíba constam na investigação. Foram citados os juízes Glauco Coutinho Marques, da comarca de Gurinhém, e Daniele Ferreira de Souza, de Caaporã. Glauco é investigado por suspeita de receber propina para conceder decisões favoráveis ao GAC; o Ministério Público aponta valor investigado de até R$ 300 mil. Ele já figura como réu e está afastado do cargo desde 2024. A defesa do magistrado negou vínculo com a associação e afirmou não haver conluio.
Sobre a juíza Daniele Ferreira de Souza, a promotoria informou que ela teria concedido 19 liminares que beneficiaram milhares de devedores, inclusive pessoas sem ligação com Caaporã. Ela é investigada pelo Ministério Público e pela Corregedoria do Tribunal de Justiça da Paraíba; a defesa disse que a juíza atuou “nos exatos limites do seu cargo” e que não manteve contato com os advogados das associações. Como os nomes dos alvos dos mandados cumpridos nesta quarta não foram divulgados, não há confirmação de que os magistrados estejam entre os alvos desta fase da operação.
Com informações de Jornaldaparaiba



