A movimentação política dos últimos 12 meses consolidou um crescimento expressivo do bloco oposicionista na Paraíba e redesenhou o tabuleiro para a disputa ao Governo em 2026. A mais recente sinalização ocorreu na segunda-feira (22), quando o deputado estadual Felipe Leitão (Republicanos) e a prefeita de Bayeux, Tacyana Leitão (PSB), formalizaram apoio ao campo adversário do governador João Azevêdo (PSB).
Chegadas estratégicas
A oposição já havia recebido, em agosto, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que deixou o PP e passou a integrar o MDB. O movimento foi oficializado em novembro, em ato que contou com a presença do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e do deputado federal Wellington Roberto (PL). Embora Veneziano e Wellington já militassem contra o governo, a filiação de Cícero ao partido reforçou numericamente o grupo.
Outra peça mantida nessa engrenagem foi o apoio do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União Brasil), ao senador Efraim Filho (União Brasil). O anúncio, realizado na semana passada, não alterou a correlação de forças, mas confirmou a coesão interna entre as principais lideranças oposicionistas.
Reação do Palácio da Redenção
Para conter a perda de espaço, o governo avançou em Cajazeiras e selou aliança com o ex-prefeito José Aldemir, garantindo o apoio a João Azevêdo. Além disso, preservou na base o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e assegurou a permanência dos partidos Solidariedade, comandado pelo deputado Eduardo Carneiro, PDT, liderado por Marcos Ribeiro, e Agir 36.
Mesmo assim, as principais figuras governistas – o vice-governador Lucas Ribeiro, o próprio João Azevêdo e o deputado federal Hugo Motta (Republicanos) – terminam 2025 sem conseguir incorporar novas lideranças oposicionistas ao projeto de reeleição da base.
Disputa por legendas
Com o calendário eleitoral se aproximando, siglas como PT, PSD e Podemos tornaram-se alvo de conversas paralelas. O controle dessas estruturas é visto como ponto de partida para reforçar tempo de televisão, recursos do Fundo Eleitoral e capilaridade nos municípios, fatores decisivos para acelerar – ou atrasar – as campanhas.
Cenário para 2026
A soma das adesões coloca o campo oposicionista à frente dos governistas em número de prefeitos, deputados e lideranças regionais, quadro diferente daquele observado nas urnas de 2024. Se o ritmo continuar, o agrupamento chegará a 2026 mais robusto do que em 2022, quando Pedro Cunha Lima (PSD) levou a disputa ao segundo turno e quase tirou a reeleição de João Azevêdo.
Do lado da situação, porém, pesará a influência de figuras que ganharam projeção nacional desde então, caso de Hugo Motta, hoje presidente da Câmara dos Deputados. Essa força institucional pode compensar a falta de novos aliados e equilibrar a corrida nos próximos meses.
Por ora, a incorporação de Felipe Leitão reforça a dianteira oposicionista. Os próximos lances, especialmente a definição partidária de PT, PSD e Podemos, deverão indicar se a vantagem será mantida ou se o Palácio da Redenção conseguirá reagir antes da oficialização das candidaturas em 2026.
Com informações de Jornaldaparaiba



